5 pilares para estruturar o ecossistema de inovação no Brasil

Um ecossistema de inovação é como um ecossistema natural: um conjunto de relações complexas. No caso, essas relações se formam entre os atores ou entidades que possibilitam o desenvolvimento de tecnologias e a inovação, e definem dinâmicas econômicas.  

Para que uma empresa possa inovar, é necessário que o país tenha um ecossistema de inovação, no qual universidades, empresas e governo atuem juntos. No entanto, como você deve imaginar, estruturar esse ecossistema não é uma tarefa trivial. Antes, é preciso formar pilares sólidos.

Quais são esses pilares? Segundo o professor de inovação da universidade americana Cornell SC Johnson College, o indiano Soumitra Dutta, são cinco elementos. Nesse post, vamos apresentar e discutir cada um deles.

Pilar #1: Educação

Soumitra Dutta aponta a educação como o principal pilar de um ecossistema de inovação. Porém, não a educação como ela existe hoje; segundo o professor, é necessário realizar uma reforma, para que a educação tenha maior foco em assuntos STEM – sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharias e Matemática, as quatro áreas do saber que são centrais para a inovação.

Quando falamos em educação, o grande foco é o Ensino Superior. Porém, para que esse pilar seja sólido, é claro que deve haver uma melhoria do ensino de base. Afinal, se os estudantes chegam despreparados à universidade, não terão a autonomia do pensamento que é necessária para inovar.

Dutta também reforça a importância de que o país conte com universidades de alta qualidade, com boa infraestrutura, recursos e corpo docente. Outro aspecto que ele destaca é a necessidade de desenvolver programas de intercâmbio; nesses programas, o contato dos alunos com outras realidades e com pessoas de diferentes backgrounds alimenta o processo criativo dos jovens. Essas experiências vão ajudá-los a enxergar problemas e oportunidades e pensar em soluções “fora da caixa”.

Pilar #2: Instituições e políticas públicas

O segundo pilar apontado por Dutta é a criação e manutenção de instituições e políticas públicas que facilitem e organizem a inovação em nível nacional. Para isso, é preciso que a liderança política do país priorize a inovação dentro do seu plano de governo.

No Brasil, uma ponta desse pilar já foi vista, no campo da regulamentação, com a promulgação do Marco Regulatório da Inovação. Esperamos ver mais iniciativas como essa, que estabelecem parâmetros para boas práticas de inovação. Podemos dizer que, além de regulamentar, elas também oferecem uma forma de orientação os empreendedores iniciantes.

Em termos de políticas públicas, também merece destaque a facilitação do crédito ou, até mesmo, a criação de programas de aporte para P&D em setores de grande interesse social. O motivo é claro: a disponibilidade de recursos financeiros ainda é um grande obstáculo para a inovação fora das empresas de grande porte. Para criar um verdadeiro ecossistema de inovação, esse obstáculo deve ser derrubado. 

Pilar #3: PMEs e Empreendedores

O terceiro pilar para o ecossistema de inovação são os empreendedores e as PMEs no país. Portanto, é necessário criar condições favoráveis para a multiplicação de ambos.

Essa observação é válida do ponto de vista do governo, que deve tomar medidas para assegurar que os brasileiros não desistam de empreender nem levem suas ideias para outro lugar. Sob outra perspectiva, também é válida do ponto de vista das próprias empresas, que devem tomar medidas para que os profissionais com perfil empreendedor (ou intraempreendedores, no caso) não abandonem o negócio.

Em grande parte, a missão de atrair e reter empreendedores no ecossistema de inovação nacional depende de não criar grandes entraves. Não se trata de manter a atividade desregulamentada, mas evitar que as PMEs inovadoras encontrem grandes entraves para entrar no mercado.

Pilar #4: Conexões facilitadas

Você se lembra que o ecossistema de inovação é formado pelas relações complexas entre universidades, empresas e governo? Pois bem, segundo Dutta, um dos pilares do ecossistema são as conexões facilitadas entre esses personagens.

Por exemplo, é necessário criar programas de cooperação para que o saber desenvolvido na universidade possa receber uma aplicação prática na indústria. Perceba que não estamos falando de iniciativas esparsas, mas de uma parceria contínua e consistente para a inovação.

As conexões também devem extrapolar o ecossistema, facilitando o acesso ao conhecimento global. Um exemplo de iniciativa nesse sentido é a plataforma Coursera, por meio da qual universidades disponibilizam cursos online, livres para usuários de qualquer parte do mundo. Assim, um empreendedor brasileiro pode aprender sobre assuntos que vão ajuda-lo a inovar com professores de universidades dos EUA, da Europa, até mesmo da Ásia.

Pilar #5: Marca e Celebração

Chegamos ao pilar final, que pode ser dividido em duas partes. A primeira parte diz respeito à construção de marca do ecossistema de inovação, para divulgar o ecossistema nos mercados em que pretende atuar. A segunda, diz respeito à celebração dos empreendedores bem-sucedidos – o que, no final das contas, contribui para a construção da marca do ecossistema.

Esse pilar tem tudo a ver com um assunto que já foi bastante discutido aqui no blog: a inovação só pode acontecer a partir dos profissionais. Ao mesmo tempo, os profissionais do século XXI preferem trabalhar em organizações inovadoras. Por isso, ao construir uma marca e celebrar os empreendedores, todo o ecossistema coloca-se na posição ideal para atrair profissionais que vão impulsionar a inovação.

Um case interessante: nas universidades americanas, é comum que pessoas de renome apresentem palestras de abertura para as turmas de calouros. Na universidade de Stanford, conhecida por seus cursos focados em STEM, Steve Jobs, fundador da Apple e da Pixar, fez uma palestra de abertura em 2005.

Para os alunos, esse certamente foi um momento inspirador; para as empresas representadas por Jobs, foi uma oportunidade de se conectar com um grupo de estudantes de alto potencial. Ou seja, a Apple construiu uma ponte para trazer esses estudantes para sua equipe no futuro. Esse é o tipo de ação que ajuda a criar um ecossistema de inovação não apenas hoje, mas também em longo prazo.

Como conclusão, Soumitra Dutta afirma que é possível ter sucesso na criação de um ecossistema de inovação; e a transformação pode ocorrer rapidamente. No entanto, para isso, o país precisa contar com uma liderança forte, visionária, e corajosa para alinhar todas as partes envolvidas. Dessa maneira, o Brasil finalmente poderá assumir uma posição relevante no cenário global da Era da Indústria 4.0.

Quer aprender mais sobre inovação? Leia também nosso artigo sobre a tríplice hélice da inovação, em que você poderá entender melhor a relação entre universidades, empresas e governo.

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