Como priorizar o portfólio de inovações da sua empresa?

Quer ter uma boa ideia? Então, tenha várias! Isso é, de forma geral, uma verdade para empresas que buscam a inovação.

Quantidade gera qualidade e a razão para isso é matemática: suponha que você precisa escolher 10 boas ideias para implantar na empresa. Se tiver um total de 20 ideias disponíveis, precisará de um aproveitamento de 50%. Se tiver 1000 ideias, precisará de um aproveitamento de apenas 1%. Bem mais fácil, certo?

Ter muitas ideias, no entanto, pode criar um problema bom para a empresa: como selecionar as melhores ideias inovadoras a serem implantadas? Nesse caso, não ter um processo eficiente para priorização de ideias pode gerar resultados frustrantes para a organização.

Um programa de inovação bem estruturado, a implantação de um banco de ideias, usar a metodologia de design thinking e processos induzidos de brainstorming podem gerar uma grande quantidade de ideias. Mas o fato é que nem todas as ideias devem receber igual atenção, investimento e esforço para serem implementadas.

Mas como saber quais devem receber o foco? É preciso que haja um processo criterioso para identificar e eleger aquelas com maior potencial para gerar resultados positivos para a organização.

Nas seções a seguir, vamos discutir sobre:

  • Como classificar as ideias usando critérios objetivos;
  • Como priorizar as melhores ideias de forma consolidada;
  • Conclusões sobre o tema.

 

Como classificar as ideias usando critérios objetivos

Para priorizar as inovações a serem implantadas, é necessário um meio para classificar as ideias. Para isso, precisamos definir critérios que sejam aderentes aos objetivos perseguidos pela empresa.

Por exemplo, podemos utilizar os critérios “Facilidade de Implantação” ou “Potencial de Retorno Financeiro” e classificar todas as ideias em níveis para cada um desses critérios. Isso, sem dúvidas, irá simplificar a decisão pelas melhores ideias a serem implantadas.

Um ponto importante é que os níveis de cada critério sejam o mais objetivos possíveis, permitindo que diferentes pessoas classifiquem as suas ideias de maneira consistente. Geralmente não é bom utilizar os níveis baixo, médio e alto, pois a classificação ficará extremamente subjetiva, dificultando a comparação.

Como um exemplo, vamos considerar o critério “Facilidade de implantação”. O que seria um nível alto ou médio de facilidade? Isso depende da percepção de cada um…

Agora, imagine utilizar os seguintes níveis para classificar esse mesmo critério:

  1. Implantação realizada em menos de 1 semana;
  2. Implantação realizada entre 1 semana e 1 mês;
  3. Implantação realizada em mais de 1 mês.

Dessa forma, fica muito mais objetiva a classificação, pois tornamos os níveis bem específicos.

Agora que já temos uma visão geral sobre assunto, fica a pergunta: que tipos de critérios são geralmente utilizados para classificar as ideias? Em geral, os seguintes tipos são utilizados:

 

1- Fatores relacionados à implantação

Neste caso, serão considerados critérios relacionados ao nível de complexidade para a implantação da ideia. Exemplos:

  • Disponibilidade de tecnologia: a tecnologia necessária já existe ou precisa ser desenvolvida?
  • Custo: quanto precisará ser investido na implantação?
  • Prazo: em quanto tempo a inovação pode ser implantada?  

 

2- Fatores de mercado

Neste ponto, analisamos critérios relacionados ao balanço entre demanda e oferta para a ideia a ser implantada. Por exemplo:

  • Demanda do mercado: qual o potencial de clientes para o produto em questão? Existem não consumidores que podem passar a adquirir o produto?
  • Facilidade de aceitação: os clientes precisarão mudar a sua forma de consumo? Qual a complexidade da mudança?
  • Competição: existem produtos similares de concorrentes? Qual o nível de competição?  

 

3- Retorno sobre Investimento

Aqui serão considerados aspectos relacionados ao retorno financeiro esperado para a inovação a ser implantada. Em geral, são utilizados cálculos específicos, como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) e Tempo de Payback.

Para simplificar a análise, esses critérios podem também ser agrupados em níveis, como nos exemplos abaixo:

  • TIR:
    • TIR acima de 30% a.a.;
    • TIR entre 20 e 30% a.a.;
    • TIR entre 10 e 20% a.a.;
    • TIR abaixo de 10% a.a..
  • VPL:
    • VPL acima de R$1 milhão;
    • VPL entre R$500 mil e R$1 milhão;
    • VPL entre R$100 mil e R$500 mil;
    • VPL entre R$10 mil e R$100 mil;
    • VPL de até R$10 mil.

Obviamente, os níveis devem ser adaptados para a realidade de cada empresa. O objetivo foi apenas ilustrar o conceito.

 

4- Benefícios específicos

Dependendo da estratégia ou da natureza de cada empresa, podem ser definidos critérios específicos. Alguns exemplos:

  • Impacto para Segurança: em que nível a ideia reduz o risco de acidentes de trabalho? 
  • Impacto para o Meio Ambiente: em que amplitude a ideia reduz algum risco ambiental? 
  • Novidade: em que nível a ideia quebra algum paradigma do mercado? 
  • Impacto para as pessoas: qual a melhoria para o ambiente de trabalho? Quantas pessoas são afetadas positivamente pela ideia?

 

Como priorizar as melhores ideias de forma consolidada

Agora que já entendemos mais sobre critérios para classificar as inovações sugeridas, precisamos usar essa informação para efetivamente selecionar as melhores ideias.

Para isso, é necessário atribuir uma pontuação aos níveis de cada critério. Vamos tomar novamente como exemplo o critério “Facilidade de implementação” e atribuir pontos aos diversos níveis:

  1. Nível 1: Implantação realizada em menos de 1 semana – 10 pontos;
  2. Nível 2: Implantação realizada entre 1 semana e 1 mês – 5 pontos;
  3. Nível 3: Implantação realizada em mais de 1 mês – 1 ponto.

Vamos considerar a seguinte inovação proposta:

Ideia 1 – Substituir a mangueira atual por uma de alta pressão para lavar os equipamentos e, com isso, economizar 10% de água.

Supondo que já haja orçamento para comprar a nova mangueira, essa ideia pode ser implantada em menos de 1 semana, pois basta comprá-la e trocar a atual pela nova. De acordo com os níveis definidos, essa ideia ganhou 10 pontos no critério “Facilidade de implementação”.

Agora, vamos incluir uma outra ideia na análise:

Ideia 2 – Reutilizar a água das lavagens dos equipamentos para usar nos sanitários, reduzindo o consumo de água dos banheiros.

Essa ideia já envolve alterações nas tubulações e deve levar mais de 1 mês para ser realizada. Assim, ganhou apenas 1 ponto por esse critério.

Para enriquecer a análise, vamos incluir agora um novo critério: “Potencial de Retorno Financeiro”. Considere os seguintes níveis:

  1. Nível 1: VPL acima de R$200 mil – 100 pontos;
  2. Nível 2: VPL entre R$100 mil e R$200 mil – 50 pontos;
  3. Nível 3: VPL entre R$10 mil e R$100 mil – 20 pontos;
  4. Nível 4: VPL de até R$10 mil – 1 ponto.

Para esse critério, a Ideia 1 (troca da mangueira) tem um potencial de VPL de R$5 mil, o que dá apenas 1 ponto para ela. A Ideia 2 (reutilização da água) tem um VPL previsto de R$150 mil, o que concede 50 pontos a ela.

Com dois critérios, podemos somar os pontos das ideias. Em resumo:

  • Ideia 1: 10 pontos (facilidade) + 1 ponto (retorno) = 11 pontos;
  • Ideia 2: 1 ponto (facilidade) + 50 pontos (retorno) = 51 pontos.

Assim, de acordo com os critérios considerados, a Ideia 2 é melhor do que a Ideia 1.

Repare que, nesse caso fictício, foi dado um peso maior ao critério “Retorno Financeiro” em relação ao critério “Facilidade de implantação”, já que a pontuação máxima do primeiro é de 50 pontos e o segundo pode atingir não mais do que 10 pontos.

Caso queira conhecer mais sobre níveis de critérios de classificação e como utilizá-los para priorizar ideias na prática, o vídeo abaixo mostra como isso funciona na plataforma de inovação AEVO Innovate:

 

Conclusão

Uma visão equivocada a respeito de gestão de inovação é a crença de que inovar se trata de um processo puramente subjetivo, criativo e não mensurável. É claro que a criatividade é fundamental para boas inovações, mas o processo de gestão da inovação (que inclui a priorização das ideias) pode e deve ser criterioso.

Nessa linha, apresentamos neste artigo uma forma objetiva de classificar ideias e facilitar a seleção das inovações a serem implantadas na empresa.

No entanto, é importante entendermos que sempre haverá subjetividade nas decisões, pois a intuição e a experiência dos envolvidos é algo inerente ao processo. Assim, não existe decisão perfeita nem processos que se apliquem a 100% dos casos e, portanto, precisamos ser flexíveis para nos adaptar a cada situação.

O ideal é que o método objetivo suporte o tomador de decisão, permitindo-o ter as informações necessárias para uma decisão bem fundamentada. Para esse objetivo, implantar um esquema de pontuação por critérios é uma ótima medida.

Uma plataforma de inovação que permita a priorização de ideias de forma ágil e estruturada também pode ser de grande ajuda para esse processo, pois o torna mais transparente e gerenciável. O AEVO Innovate é um software que oferece funcionalidades de priorização de inovações.

Como você realiza a priorização de ideias inovadoras na sua empresa? Compartilhe as suas experiências! E se quiser conhecer mais sobre gestão de inovação, não deixe de assinar a nossa newsletter. 

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