Cultura Maker: inovações de quem quer realmente fazer

Um ditado popular já afirmava: “Se quer algo bem feito, faça você mesmo”. Claro que, na prática, é sempre preciso considerar que nem todos sabem fazer “algo bem feito” sozinhos. No entanto, é possível aprender a fazer. Na Cultura Maker, se aprende justamente fazendo!

Descubra, a seguir, o que é a Cultura Maker, esse fenômeno que envolve diversas áreas do conhecimento desejando construir algo. Saiba, também, o que o processo de inovação tem a ver com isso. Confira!

O que é Cultura Maker?

Para remontar a origem do que atualmente convencionou-se chamar de Cultura Maker, é importante lembrar de seu movimento de origem. O DIY (Do It Yourself ou Faça Você Mesmo) tem sua origem em atividades domésticas, envolvendo eletrônica, carpintaria e demais áreas. Popularizado nos anos 1950, o movimento DIY era muito associado a reformas e pequenos consertos em casa. Décadas mais tarde, o DIY evoluiria como subcultura.

Nos anos 1970, com o advento dos aparelhos de videocassete, a cultura do DIY se espalharia ainda mais. No entanto, além de ser uma forma de as pessoas realizarem trabalhos manuais domésticos, há mais um elemento importante nessa equação: arte.

Movimentos artísticos como o punk foram essenciais para a difusão do DIY enquanto produção artística. Discos, álbuns, shows, antes controlados por uma empresa, agora eram produzidos pela própria banda. Nascia a cultura do zine, publicações impressas caseiras com o objetivo de contato entre o público e a cena musical – em outras palavras, de certo modo, um protótipo de rede social.

Nessa evolução constante do DIY, o Movimento Maker (ou Cultura Maker) torna-se uma extensão disso tudo. Chris Anderson, ex-editor chefe da Wired, acredita que o desejo de fazer as coisas por conta própria sempre esteve presente. Entretanto, faltava um fator transformador. Um elemento que tornasse o DIY mais do que um hobby. O que faltava eram ferramentas digitais.

O que difere a Cultura Maker do DIY são os novos recursos oferecidos aos makers (ou fazedores). Avançando para 2006, a Cultura Maker passa a despontar na indústria de tecnologia, com Feiras Makers (Maker Faire) promovidas pela O’Reilly Media.

A definição do que é exatamente Cultura Maker pode ser mais ampla. Afinal de contas, ainda trata-se de um fenômeno recente, cujo significado pode ser flexível de acordo com a abordagem. Mas é possível fazer aqui um paralelo entre o DIY e o conceito de código aberto. Ambas as culturas primam pela autonomia para fazer, com as próprias mãos, seus projetos.

Nesses eventos, começavam a se reunir cientistas, engenheiros, artistas, estudantes, empresários, educadores e, claro, pessoas que tinham a Cultura Maker como hobby. O movimento de DIY com influências da área de tecnologia foi impulsionado por publicações como a Revista MAKE, em 2005.

Desde então, ferramentas que promovem a inovação na produção passaram a ficar em evidência nessa transformação cultural. Impressoras, scanners 3D e softwares começam, aos poucos, a deixar de ser exclusividade das grandes indústrias. A acessibilidade das ferramentas é uma força fundamental para que a Cultura Maker avance com o passar dos anos.

Outro fator importante para a Cultura Maker é seu aspecto colaborativo. A cooperação é vital quando se está desenvolvendo um novo produto a partir de novas ideias. O cenário digital também é um aliado nisso. Arquivos, esquemas, códigos podem ser compartilhados e modificados online. Além dessa plataforma de compartilhamento, há também o modelo de crowdfunding, ou seja, de financiamento colaborativo. Sites como Kickstarter e Indiegogo foram importantes para que essas redes de relacionamento se fortalecessem e gerassem renda.

Ter ideias inovadoras e aplicá-las em um contexto particular, ou para os fãs de uma banda alternativa, era DIY. A Cultura Maker, como uma extensão desse movimento, faz com que essas ideias tornem-se projetos viáveis, possíveis de ser manufaturados e distribuídos.

Os valores da Cultura Maker não estão limitados ao público entusiasta. Trata-se de uma comunidade conectada. O Movimento Maker mostra que, quando profissionais decidem fazer algo de forma independente, cria-se algo essencial para o progresso de sua empresa. Criam-se novos insights de como enfrentar o mercado de forma colaborativa e aberta.

Implementando a Cultura Maker em sua empresa

O modelo de inovação digital permitiu que os makers tivessem acesso ao desenvolvimento de novos produtos. Isso envolve, inclusive, setores e empresas aqui no Brasil!

Eventos como os hackathons realizados pela Intel, por exemplo, reúnem 120 makers pelo mundo todo. Em São Paulo, já ocorreram duas edições do evento. Kits de desenvolvedor, com dispositivos Arduino (plataformas eletrônicas open source), softwares e placas, são distribuídos. Não há nenhum limite ou modelo a ser seguido.

A empresa de cosméticos Natura também investiu em hackathons focados em projetos desse tipo. Os ganhadores dos eventos realizados pela Natura ganharam a oportunidade de desenvolver suas ideias no MIT. Makers e empresários da indústria têm, assim, uma oportunidade de se conectar e até mesmo implementar produtos inovadores em seus processos.

O setor de educação brasileiro também é um exemplo de Cultura Maker na prática. A Escola de Inventor conta com cursos de robótica, oficinas de impressão 3D e programação. O aprendizado focado no ato de construir algo é um passo importante para a difusão dessa cultura no mercado profissional futuro.

O interesse no aprendizado construtivista, ou seja, aprender fazendo, é algo que pode ser fortalecido com outras técnicas. Design Thinking, por exemplo, encontra-se alinhado à Cultura Maker, especialmente na etapa de prototipação.

Implementar a Cultura Maker em uma empresa começa pelo mindset de seus colaboradores. Assim como a cultura de inovação, é importante partir do aspecto colaborativo e livre. Basta ver o exemplo de empresas como a Tesla, que divulga abertamente suas patentes para a concorrência. A inteligência existe para ser compartilhada.

Com esse espírito em mente, é preciso articular como a Cultura Maker gera uma comunidade ativa em seu negócio. Para que novos produtos possam ser desenvolvidos, é preciso que novos perfis profissionais sejam incentivados. Identificar a paixão de seus colaboradores e a disposição para que se inicia uma Cultura Maker transformadora em sua empresa é um passo importante.

Conclusão

O mercado já está marcado pela Cultura Maker em diversos aspectos. A própria cultura de inovação é um caminho para incentivar que novos makers surjam nas empresas. São elementos simples de ser absorvidos pela organização (cooperação, acesso a tecnologias, produção).

O Movimento Maker surge para desafiar o status quo e redirecionar a paixão das pessoas em projetos viáveis, que podem fazer a diferença para o mercado. A inovação e o progresso são irreversíveis. Por isso torna-se cada vez mais importante que sua organização conte com pessoas que tenham autonomia para fazer acontecer.

Como as ideias inovadoras de sua empresa poderiam se conectar a uma Cultura Maker? Você já promove e participa de eventos que incentivem essa cultura em sua organização? Compartilhe sua experiência nos comentários e até a próxima!

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Um comentário em “Cultura Maker: inovações de quem quer realmente fazer

  1. Marcelo ferreira

    Boa matéria. Tenho de fazer um trabalho de faculdade sobre esse tema. Será que poderiam me ceder a bibliografia pesquisada? Obrigado.

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