O que é Return On Learning (ROL), ou Retorno Sobre Aprendizado?

Gestores e empreendedores ouvem com frequência sobre a importância do ROI, isto é, Retorno Sobre Investimento. Essa métrica já foi consolidada como uma maneira inteligente de avaliar o valor de uma ação, baseando-se na relação entre o investimento e o retorno financeiro obtido. Porém, o mundo da administração é muito dinâmico: novos conceitos e novas práticas surgem a todo momento. Em certas situações, o lugar do ROI começa a ser desafiado por outra métrica: o ROL.

Talvez você já tenha ouvido um professor usando esse termo durante alguma aula de estatística. Porém, não se engane! O ROL da gestão não tem nada a ver com o rol da estatística. No nosso caso, é uma sigla para Return On Learning — que, em português, significa Retorno Sobre Aprendizado. 

Neste post, você vai aprender o que é o ROL, descobrir porque ele está ganhando atenção e aprender como pode ser aplicado na prática. Vamos lá?

O que é ROL

ROL é uma maneira de mensurar o conhecimento adquirido sobre os clientes, os concorrentes e o mercado. Esse conhecimento, frequentemente chamado de “insights”, é composto de dados coletados que ainda não foram analisados; em outras palavras, está em uma forma bruta. É claro que é necessário refiná-lo, para que seja possível transformá-lo em ações concretas. 

Vale a pena dizer que, dentro da empresa, existem certos setores e certos colaboradores que apresentam maior probabilidade de gerar insights (portanto, elevando o ROL). Quando falamos em conhecimento sobre os clientes, são as equipes de vendas e atendimento ao cliente. Já no caso do conhecimento sobre os concorrentes e o mercado, é principalmente a equipe de marketing.

Em termos gerais, os colaboradores da “linha de frente”, que têm mais contato com o mundo fora da empresa, são os principais responsáveis por produzir insights. Por isso, é extremamente importante fomentar entre eles (e na organização como um todo) a cultura de aprendizagem.

Quais são os benefícios do ROL

Conhecimento — ou insights, o termo não importa — é uma vantagem competitiva. Ele pode ser usado para:

  • avaliar o que está dando certo, e fazer mais;
  • avaliar o que está dando errado, e pivotar;
  • antecipar tendências, e ficar um passo adiante dos concorrentes;
  • observar mudanças no cenário macro, e ajustar sua estratégia;
  • encontrar oportunidades para expandir os negócios.

Se o conhecimento é tão poderoso, você precisa ter certeza de que está adquirindo o suficiente. Também precisa assegurar que o conhecimento produzido está levando seu negócio na direção certa.

É aí que entra o Retorno Sobre Aprendizado, como a métrica certa para apontar se os insights gerados estão trazendo bons frutos ou não. Se o ROL for muito baixo, duas situações são possíveis: ou sua empresa não está focada em conhecimento, ou seu conhecimento tem falhas — por exemplo, é pouco confiável, irrelevante, ou não se converte em ações concretas.

Como estimular a cultura de aprendizagem

Você já viu a relação que existe entre ROL e insights. A próxima questão, portanto, é como criar um ambiente onde prevaleça a cultura de aprendizagem, isto é, no qual os colaboradores demonstrem uma atitude proativa para gerar novos insights. 

1. Esclarecer que não há insight 100% certo ou errado

Como já vimos, os insights são dados ainda não analisados; são percepções ainda não testadas. Então, esclareça para todos os colaboradores que não há insight 100% certo ou errado. Todos merecem atenção, mas também precisam ser  verificados para confirmação. Isso vale tanto para os que são considerados positivos quanto negativos; por exemplo, tanto para elogios quanto reclamações dos clientes.

2. Incentivar a ouvir

Os melhores insights partem de interações diretas, seja com os clientes, com outros gestores e empreendedores do segmento, com fornecedores, com especialistas. Portanto, é necessário estar aberto a ouvir o que eles têm a dizer, especialmente quando se trata de feedback sobre a sua empresa. 

3. Valorizar a troca interna de ideias

Ficou claro que os colaboradores podem trazer insights a partir da relação com personagens externos. Porém, não é apenas isso: eles mesmos, como personagens internos importantes, podem ser a fonte de insights. Afinal de contas, eles lidam com os processos e os produtos (ou serviços) da empresa diariamente. Quem melhor para fornecer dados relativos ao ambiente interno?

Como mensurar o ROL

Tentar combinar a noção de métrica com algo tão abstrato quanto o conhecimento parece impossível? Bom, pode ficar tranquilo. Mensurar o ROL é difícil, mas possível. Para entender como, temos que voltar a outra métrica: o ROI, do qual o ROL é derivado.

O ROI consiste na relação entre investimento e retorno financeiro ou, colocando de maneira mais simples, entre custo e benefício. 

O ROL, então, consiste na relação entre o investimento feito em uma determinada ação voltada a desenvolver conhecimento e o retorno financeiro obtido a partir desse conhecimento. Para entender melhor, vamos visualizar com dois exemplos.

Imagine que a sua empresa oferece um treinamento em inteligência de mercado à equipe de marketing. O treinamento permite que esses colaboradores realizem uma análise que leva a identificar um novo nicho, de baixa concorrência, que o seu negócio pode explorar. Nesse caso, o ROL seria a relação entre o custo do treinamento e o potencial de faturamento desse novo nicho.

Vamos ao segundo exemplo? Imagine que a sua empresa implementa um software de gestão de inovação. Essa plataforma permite desenvolver uma ideia para aprimorar a relação com os clientes, promovendo um aumento nas vendas. Nesse caso, o ROL seria a relação entre o custo do software e o potencial de ganhos adicionais em vendas, graças à melhoria no relacionamento.

O retorno sobre o aprendizado na prática

A importância do ROL não é simplesmente um palpite. Importantes nomes do mundo dos negócios visualizam essa métrica como uma tendência real.

Salim Ismail, cofundador da Singularity University e autor do best-seller Organizações Exponenciais, afirma acreditar que o ROL vai substituir o ROI como “indicador definitivo” nas empresas. Kyle Tibbitts, líder de Brand Marketing na Opendoor, defende que a alta taxa de aprendizado é a principal recompensa de trabalhar em uma startup, onde o ROL tende a ser mais acentuado do que em uma empresa tradicional.

Ainda não está seguro de que o Retorno Sobre Aprendizado tenha alguma relevância prática? O case da Accenture está aqui para provar que tem, sim. Esta empresa de consultoria em gestão passou por uma grande revitalização, em meio a uma crise econômica global, com grande sucesso; e a base de toda a mudança foi o foco em ROL. O case ficou registrado em um livro narrando todo o processo. 

Neste post, você aprendeu mais sobre ROL, insights e cultura de aprendizagem. Todas estas noções estão profundamente interligadas; e tem mais uma que não pode ficar de fora: a cultura de inovação. Confira nosso artigo sobre o assunto e descubra como e porquê implementá-la!

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