Effectuation: lógica que desafia o empreendedorismo tradicional

Effectuation é um termo do inglês, e sua raiz é a palavra effect, que significa “efeito“. O sentido por trás do termo effectuation é de uma ideia empreendedora com senso de propósito, que visa promover um impacto positivo no estado do mundo e na vida das pessoas por meio da criação de uma empresa, de um serviço ou de um produto. Mais importante, o conceito refere-se ao uso de effectual reasoning, ou seja, lógica do efeito, para resolução de problemas. O Effectuation foi desenvolvido a partir de um estudo de ciência cognitiva.

Resumindo, portanto, effectuation é, ao mesmo tempo, uma filosofia e um método para o empreendedorismo e a inovação. Nesse artigo, você vai ver:

  • O que é Effectuation?
  • Como originou-se o Effectuation?
  • O conceito por trás da metodologia Effectuation;
  • Os 5 pilares do Effectuation;
  • Causation x Effectuation.

De acordo com Saras Sarasvathy, pioneira no estudo de Effectuation, “pessoas que pensam segundo a lógica do efeito são como exploradores, zarpando em viagens em águas não mapeadas“. E isso faz todo o sentido para quem deseja criar novos modelos de negócios, como os fundadores de startups. Ficou interessado? Então, descubra tudo que é preciso para ser um desses exploradores!

O que é Effectuation

Então, Effectuation é uma lógica de pensamento poderosa. Segundo Saras Sarasvathy, essa é a lógica aplicada pelos empreendedores (ainda que eles não tenham consciência disso). Não é a mesma aplicada por executivos, que aplicam principalmente a lógica da causa, que é ensinada nos cursos de administração. Vamos falar sobre a diferença entre as duas lógicas mais à frente.

Sarasvathy afirma que, embora os empreendedores queiram provocar um efeito positivo com sua iniciativa, a lógica do efeito não começa com um objetivo específico. Ela parte de um determinado conjunto de meios, e permite que os objetivos apareçam ao longo do tempo, de maneira contingencial, a partir das aspirações e da imaginação do empreendedor e das pessoas com quem ele interage.

Como originou-se o Effectuation?

Você deve se lembrar que, lá no começo do post, dissemos que Effectuation foi desenvolvido a partir de um estudo em ciência cognitiva? Esse estudo foi realizado por Saras Sarasvathy e o primeiro paper foi publicado em 2001.

Na pesquisa, Sarasvathy reuniu 27 empreendedores experientes e solicitou que trabalhassem em um conjunto de problemas tipicamente encontrados ao empreender, relatando seus pensamentos em voz alta. Ao analisar o processo de resolução, Sarasvathy descobriu que 65% dos participantes aplicava lógica do efeito em 75% do tempo.

A visão de Sarasvathy da importância do Effectuation para o empreendedorismo de sucesso ganhou cada vez mais força. Hoje, ela está à frente da Society for Effectual Action, que publica artigos e livros e organiza eventos sobre o tema.

No entanto, é importante dizer que Sarasvathy não inventou a lógica do efeito. Essa metodologia para a resolução de problemas, conforme a pesquisadora relata, é aplicada intuitivamente; e possivelmente seria observada no comportamento dos empreendedores em qualquer época.

O conceito por trás da metodologia Effectuation

Você deve se lembrar de que a metodologia Effectuation parte dos meios disponíveis. Para determinar quais são esses meios, existem três perguntas básicas:

  • Quem eu sou?
  • O que sei fazer?
  • Quem eu conheço?

Quando respondidas de maneira honesta, essas perguntas revelam os meios que o empreendedor tem ao seu dispôr para superar obstáculos e ajudam a descobrir possíveis objetivos. Tenha em mente que essas perguntas são relevantes ao longo de toda a trajetória empreendedora, e não apenas no momento inicial.

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Os cinco pilares do Effectuation

Para aplicar o Effectuation, há cinco princípios implícitos.

1. Pássaro na mão

É preciso começar com os meios de que se dispõe, sem esperar a oportunidade perfeita. O empreendedor deve agir a partir daquilo que tem ao seu alcance. É aí que entram as respostas daquelas perguntas básicas: quem você é, o que você sabe e quem você conhece.

2. Perda acessível

Você deve determinar qual é a perda que está disposto a aceitar. Então, avalie as oportunidades sempre considerando se a perda envolvida (caso dê errado) é aceitável. Não avalie oportunidades baseado no resultado positivo, porque esse resultado não é garantido. Aliás, a lógica do efeito parte justamente da noção de que o futuro é fundamentalmente imprevisível.

3. Colcha de retalhos

O empreendedor deve formar parcerias com pessoas e organizações que estejam dispostas a firmar o compromisso de ajudá-lo a construir algo – um produto, um serviço, um negócio, um mercado. Formar essas parcerias é ainda mais importante do que fazer análises de mercado ou planejamentos estratégicos.

4. Limonada

O princípio da limonada tem a ver com aquele ditado: “quando a vida lhe der limões…”. O empreendedor também recebe sua parte de limões e, por isso, deve saber lidar com contingências. Isso significa aceitar as surpresas que surgem pelo caminho, permanecendo flexível, em vez de tornar-se excessivamente preso a objetivos específicos.

5. Piloto do avião

Esse princípio é resumido na frase “controlar o controlável”. Nem tudo pode ser controlado, por isso, Effectuation envolve focar-se nos aspectos que estão (pelo menos, até um certo ponto) dentro do seu alcance de influência.

Causation x Effectuation

Então, qual é a diferença real entre a lógica da causa e a lógica do efeito? Existem algumas distinções essenciais entre elas:

  • Causation:
    • Focada em traçar estratégias para atingir um objetivo específico através do conjunto de meios disponíveis;
    • Considera que, se é possível predizer o futuro, é possível controlá-lo;
    • Está envolvida na maior parte das práticas de gestão.
  • Effectuation:
    • Parte dos meios disponíveis para estabelecer novos objetivos;
    • Considera que, se puder controlar o futuro, não é preciso predizê-lo;
    • Está presente nos casos de empreendedorismo de sucesso.

Não cabe dizer que uma dessas lógicas seja melhor do que a outra. Porém, em contextos de empreendedorismo e inovação, o Effectuation demonstra trazer resultados superiores.

Conclusão

A metodologia Effectuation dá mais liberdade ao empreendedor, pois ele não estará preso a um objetivo que limita sua visão de outras possibilidades. Por isso, é uma metodologia que traz à tona a criatividade e abre portas para a inovação.

Além disso, ela privilegia colocar as mãos na massa, em vez de gastar um tempo excessivo em planejamento. Afinal, dentro dessa lógica, sabe-se que não importa o quanto você planeje – nunca poderá prever o futuro. Portanto, o Effectuation dá aquela força para tirar as idéias do papel, que é onde a maioria delas fica, sem nunca se transformar em um projeto de verdade.

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