ESG: O que é? Conheça a sigla que vale 1 trilhão de dólares

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Conceitos como investimento sustentável e investimento de impacto não são novidades, mas por muito tempo eles foram abordados sem uma metodologia clara, lacuna preenchida nos últimos anos graças às discussões sobre ESG.

Essas três letras estão revolucionando a forma como os investimentos são pensados no mundo todo, orientando critérios bem definidos para que as empresas possam conduzir – e demonstrar – transformações positivas na sociedade.

Pode ter certeza: você irá ouvir falar cada vez mais sobre ESG. No artigo de hoje, preparamos um guia para entender essa ideia, e por que, afinal de contas, ela tem o potencial para definir onde trilhões de dólares serão investidos nos próximos anos!


O que é ESG?

ESG é uma sigla que, no inglês, significa Environmental, Social and Governance. São três aspectos cada vez mais valorizados por empresas, consumidores e investidores em todo o mundo, guiando práticas que equilibram a lucratividade e o desenvolvimento sustentável.


Environmental (Ambiental)

Na esfera ambiental, as empresas devem reduzir impactos negativos, investindo em recursos renováveis, administrando corretamente seus resíduos, evitando o uso de poluentes químicos, e assim por diante.

Os campos que recebem mais atenção, hoje, são a emissão de carbono e o desgaste dos recursos hídricos, mas algumas empresas também podem assumir iniciativas em áreas como biodiversidade, desmatamento, e assim por diante.


Social

As iniciativas sociais tem como visão o interesse da empresa em todos aqueles com quem ela interage: colaboradores, consumidores, fornecedores e a sociedade como um todo, além, é claro, de acionistas e executivos.

Promover a diversidade em seus times, respeitar totalmente os direitos humanos e leis trabalhistas, trabalhar pela satisfação dos clientes e proteger os dados dos mesmos estão entre as atividades que permitem uma boa avaliação no critério S.


Governance (Governança)

A esfera de governança, por sua vez, diz respeito à forma como a direção de uma empresa é composta e tratada: como seu conselho é formado, quais são os processos de auditoria, como executivos são recompensados, facilidade para denunciar e agilidade para investigar más práticas internamente, etc.

Programas de segurança no trabalho e compliance, bom relacionamento com a sociedade e diversidade interna (sobretudo nos quadros de liderança) também são práticas bem vistas na avaliação de governança.

Ainda que as discussões sobre ESG pareçam recentes, elas já ocorrem há mais de 30 anos, envolvendo líderes empresariais e governamentais, investidores, grandes organizações mundiais e a sociedade civil para encontrar meios de harmonizar o impacto positivo e o retorno financeiro.

No Brasil, a sigla e suas diretrizes ganharam impulso a partir de 2020, como uma forma de reorganizar as empresas para lidar com os efeitos econômicos e sociais decorrentes da pandemia

Ao redor do mundo, no entanto, o conceito de ESG possui influência considerável nas decisões relacionadas a investimentos. Entre as organizações listadas na S&P 500, um dos principais índices de mercado norte-americanos, 90% das empresas emitem relatórios na área, enquanto apenas 20% o faziam em 2012.


Atenção: Os critérios de ESG mudam conforme o setor

É importante apontar que os critérios de ESG podem variar de uma empresa para outra, conforme o setor de atuação e os impactos que possuem na sociedade.

Uma companhia alimentícia pode ter o consumo de água como sua grande prioridade, algo que não seria tão relevante na atuação de um banco, onde a segurança nos dados de seus clientes é um fator mais importante, por exemplo.

Esse conceito é chamado de materialidade nas discussões sobre ESG.

A materialidade de uma empresa em determinada prática corresponde ao impacto que ela gera nessa mesma prática. Em nosso exemplo, a segurança de informações tem grande materialidade nos bancos, mas o consumo de água não.

Análises sobre o retorno gerado por iniciativas de ESG mostram que as empresas com boa performance nos fatores materiais e imateriais nem sempre alcançam os melhores desempenhos.

Por sua vez, organizações que visam a excelência nos setores onde possuem alta materialidade, mesmo que não invistam nos de baixa materialidade, alcançam um desempenho superior, tanto no retorno financeiro quanto nos relatórios de ESG.


Qual a origem da sigla ESG?

O termo começou a ser utilizado em relatórios do Banco Mundial e da Organização das Nações Unidas (ONU), ganhando notoriedade a partir da conferência Who Cares Wins (Ganha Quem se Importa) organizada pelas duas entidades em 2004.

O relatório final da conferência, que reuniu 20 instituições com ativos sob gestão avaliados em mais de U$ 6 trilhões, afirma que as iniciativas de ESG “poderiam atingir um impulso imparável”. Tal prognóstico pode ser confirmado por todos os dados sobre o assunto, como veremos a seguir.


A importância do ESG

Segundo a consultoria Morningstar, haviam 392 fundos de investimentos sustentáveis nas bolsas de valores dos EUA em 2020, um crescimento de 30% em relação ao ano anterior e de quase quatro vezes ao longo da década.

Tais fundos atraíram U$ 51.1 bilhões em 2020, mais que o dobro do valor captado em anos anteriores. A tendência é de crescimento, e os reflexos desse movimento já estão chegando ao Brasil. Empresas que alcançarem alta performance em fatores ESG terão uma oportunidade única para receber investimentos como esses.

A chance de obter um capital massivo, por si só, já seria um argumento decisivo para impulsionar os cuidados com ESG em qualquer organização, mas não é o único.


Comportamento dos consumidores

Se a pressão dos investidores já é grande, os consumidores estão praticamente empurrando as empresas na direção do ESG. Com o alcance das redes sociais, más práticas correm o mundo em poucos minutos, e podem gerar boicotes que derrubam as vendas da organização.

Como era de se esperar, essa tendência apresenta mais força entre os jovens – 85% dos consumidores na Geração Y e 80% na Geração Z afirmam que o compromisso com o meio ambiente é importante em suas decisões de compra, segundo pesquisa da Nielsen.

Mesmo fora dessas faixas a preocupação é cada vez maior: dois terços dos consumidores acima de 65 anos possuem uma visão semelhante.


Retenção de talentos

Eles não só compram, como trabalham. Os millennials já compõem metade da força de trabalho em países industrializados, e suas visões sobre ESG possuem grande influência na hora de assinar um contrato.

Em 2016 a Cone Communications revelou que 83% deles seriam mais leais a uma companhia que os ajude a contribuir para questões sociais e ambientais e 64% rejeitariam um trabalho se a empresa não tem fortes valores de responsabilidade social corporativa (CSR).


Múltiplos retornos positivos

Ao contrário da filantropia, onde o dinheiro aplicado é totalmente comprometido com a causa em questão, sem gerar qualquer retorno financeiro, as iniciativas de ESG buscam cobrir as duas frentes.

O valor deve causar impactos positivos, ao mesmo tempo em que produz lucro. Essa é uma vantagem, tanto na perspectiva do ganho pessoal quanto da sustentabilidade, já que o capital pode então ser reinvestido para consolidar as transformações.


Por que considerar o ESG na hora de investir?

Nos últimos 10 anos, a média de rendimento na Bolsa de Nova York (NYSE) foi de 295%, enquanto o índice FTSE4Good, que inclui as empresas com melhores desempenhos nos critérios ESG, gerou retornos de 345%.

Num cenário global, os dividendos correspondentes aos principais índices com critérios ESG esteve 18,7% acima da lucratividade geral em investimentos. Em países emergentes, como o Brasil, essa diferença chega a impressionantes 82%!

A perspectiva para estes resultados é de manutenção no longo prazo.

Conforme a Geração Z entra nos mercados de consumo e trabalho, ao passo em que a Geração Y ganha cada vez mais poder de compra e decisão, o “impulso imparável” apontado pela ONU e pelo Banco Mundial só tende a continuar.

Por fim, investimentos pautados por iniciativas de ESG também costumam ser mais seguros e transparentes, já que boas práticas de gestão e contabilidade estão incluídas no critério da Governança.


ESG é inovação?

Conforme as empresas ganham consciência sobre os benefícios do ESG e se esforçam para adotar suas práticas, fica notável o papel da inovação para cumprir esse objetivo.

Por décadas a maior parte dos mercados e empresas esteve dividida entre obter o máximo de rentabilidade ou favorecer um desenvolvimento sustentável. Agora é preciso unir os dois.

Para cumprir essa missão, não basta assumir alguns compromissos pontuais com o ESG. Inclusive, essa prática é muito criticada pelos consumidores e investidores mais conscientes, recebendo o nome de greenwashing, ou lavagem verde, quando a empresa muda apenas por fora.

A inovação é o caminho para equilibrar o impacto positivo nas finanças e nas três áreas abordadas pelo ESG. As empresas que assumem tal compromisso precisam ser repensadas desde a sua estrutura central, adotando um modelo inovador de Governança, que vai orientar a transformação nos outros campos.


Conclusão

Integrar profissionais capacitados e que possam representar a diversidade existente no conjunto da população é um desafio gigantesco, mas como os diversos números sobre o assunto nos mostram, organizações que decidem enfrentá-lo caminham na direção do sucesso.

O desejo de combinar impacto positivo e lucratividade deve estar apoiado numa boa gestão, facilitada por ferramentas como o AEVO Innovate, que permite organizar suas equipes para lidar com projetos numa interface desenvolvida para garantir eficiência e produtividade

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