Inovação aberta: como dar continuidade, mesmo na crise? Parte 1

Inovação aberta, colaboração e muito mais!

Se você já acompanha nossos conteúdos há algum tempo, sabe a importância do mindset de inovação aberta para construir não somente o agora, como também o futuro. 

O nome dessa estratégia é Ambidestria Organizacional e ela tem ajudado grandes organizações a obterem visões mais profundas sobre a natureza do seu core business, alocação de recursos e projetos de curto e longo prazo.

Entretanto, em alguns meses nosso cenário mudou, trazendo à tona preocupações que antes não tínhamos, como a urgência em sobreviver (hoje) – consequência direta das novas barreiras e adaptações que as empresas enfrentam para seguir em frente com as suas atividades, mesmo de forma remota e digital.

Já existia, é claro, uma tendência mundial a digitalização de processos, mas ter que fazer isso “na marra”, certamente pegou muitas organizações de surpresa e é justamente sobre a adaptação frente a esse novo cenário que falaremos hoje.

O objetivo desse artigo é compartilhar as melhores respostas da segunda edição do Open Innovation Talks (nossa série mensal de webinars sobre inovação aberta), evidenciando os pontos que geram mais valor para as empresas que enfrentam as adversidades citadas logo acima.

Sugerimos que você acompanhe o conteúdo assistindo a gravação da live agora mesmo:

Assista agora: Open Innovation Talks #2 – Ambev e BASF


INOVAÇÃO ABERTA E O PAPEL DAS GRANDES EMPRESAS DE INICIATIVA PRIVADA – AMBEV

Nós perguntamos ao Analista de Inovação, Lucas Bragagnolo, qual o papel das grandes empresas de iniciativa privada neste momento de crise.

Para o analista, as empresas devem pensar em ajudar de alguma forma, e deu vários exemplos, como: “ações como a da Ambev para produzir álcool em gel, como da rede Mcdonald’s disponibilizando lanches para o pessoal dos hospitais que estão trabalhando ou da concessionária de serviços de telecomunicações SKY, liberando canais gratuitamente.

Lucas fortalece o pensamento de colaboração: ”Juntos conseguimos passar mais “fácil” pela crise”.

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COMO O ONONO ESTÁ LIDANDO COM A DISTÂNCIA? – BASF

Mirella é Gerente de Inovação Aberta e Ecossistemas Digitais no ONONO, o Centro de Experiências Científicas e Digitais da BASF.

Nós perguntamos a ela como está sendo para o ONONO (um espaço que preza pela conexão, colaboração e aproximação das pessoas) a adaptação frente a nova dinâmica de trabalho.

É um momento de reinvenção para o modelo de operação do ONONO, afinal, ele existe essencialmente por conta das conexões, conta a gerente.

Vários programas de inovação aberta são tocados tendo o ONONO como elo central desse relacionamento com startups e universidades. Para Mirella, ter multicanais disponíveis para a comunicação com o cliente e as empresas está sendo essencial para o fortalecimento da conexão em tempos de trabalho remoto, afinal, o espaço físico, por enquanto, não pode ser utilizado.

O Plus.Onono.com.br é a plataforma de conteúdo da Onono e teve grande papel nesse momento de adaptação. A mesma é utilizada para apresentar os parceiros, principalmente às startups, para as organizações que precisam de diversas soluções, e também para continuar orientando os mesmos a respeito dos produtos,  mostrando as iniciativas da empresa frente ao surto de Covid-19, como compartilhar informações técnicas e conteúdos de relevância.

Mirella Lisboa reforça a capacidade de adaptação e necessidade de ser ágil nesse momento, trazendo para o protagonismo sua própria equipe, que foi 100% envolvida nesse processo.


PROGRAMA DE IDEIAS E COMUNICAÇÃO

Como sempre, adoramos perguntas e, evidentemente, não podemos deixar de mostrá-las! A nossa primeira pergunta foi da Nathalia Monteiro, da Bradesco,  que perguntou: Como os programas de ideias podem ser meios de comunicação neste momento?

Essa nós respondemos!

É possível lançar campanhas específicas voltadas para o Covid-19, onde nós podemos compartilhar boas práticas para todos os colaboradores a respeito do momento, mas também abrir um canal para ouvir os mesmos, tirando insights e ideias que podem ajudar a empresa a superar diversos desafios. Os colaboradores podem vir com soluções para as maiores dores da empresa geradas por conta da quarentena, disse o especialista em inovação, Flávio Marques.


OS PROGRAMAS DE INOVAÇÃO ABERTA PARARAM?

Quando nós perguntamos aos convidados sobre a continuidade de seus Programas de Inovação, Mirella responde de forma clara e objetiva:

Inovação é todo o desenvolvimento de um produto ou modelo de negócio que gera valor no final do dia – se isso não acontecer não é inovação. 

Ter um pipeline de inovação aberta muito bem mapeado, deixando claro o retorno do negócio e impacto do projeto na empresa e sociedade em momento de crise, permite descartar a descontinuidade dos projetos e focar na priorização dos mesmos pelo valor que é gerado em menor tempo, e o que vai facilitar a vida do meu colaborador e melhor atendimento ao cliente. 

Para a BASF o foco hoje é na qualidade de trabalho para os colaboradores e o desenvolvimento de novas tecnologias que aumentam o número de canais das empresas com os seus clientes.

Já na Ambev, Lucas ressalta que o contato com as startups em negociação continua mantido, mesmo em cenário de trabalho remoto. Segundo o analista, é tudo uma questão de adaptação no relacionamento com o ecossistema.


DESIGN THINKING À DISTÂNCIA

A Fernanda, da Aliança e Navegação, pergunta se há ferramentas que possam facilitar as sessões de design thinking de forma remota e colaborativa. Para isso, nossos convidados deram algumas dicas:

Lucas e Mirella dizem fazer muito uso do Mural.co e do Miro, para criar cards, painéis e outros recursos colaborativos. Além disso, os dois ressaltam o valor das boas e velhas planilhas compartilháveis, como o Sheets da Google.


QUAIS OS MAIORES DESAFIOS PARA AS GRANDES EMPRESAS?

Nós perguntamos aos convidados sobre a opinião deles à respeito de quais são os maiores obstáculos enfrentados pelas grandes empresas nesse momento.

Mirella diz que os desafios são relativos ao tipo de Indústria em que a empresa está inserida. 

Na BASF, por exemplo, o ramo é o da indústria química e matéria prima, onde o principal desafio em termos de negócio é prosseguir sendo uma empresa tradicional e, ao mesmo tempo, buscando fugir do tradicional.

Existem áreas com super demandas e outras sofrendo com o cenário oposto. Para ela, esse é o momento de olhar para dentro do negócio e entender as oportunidades, visando o que o cliente está fazendo, a resposta dele nesse período e também a importância e papel dos meus colaboradores nesse processo, garantindo sempre segurança e bem-estar para o mesmo.

A área de inovação precisa ser um suporte para as demandas que surgem, conectando-se com todas as áreas da companhia.

Para o Lucas, não podemos perder a oportunidade de aproveitar uma boa crise. É nesses momentos de dificuldade que nós encontramos as melhores soluções. Nós precisamos pensar, por exemplo: como eu consigo aproveitar essa crise para desenvolver e testar coisas que normalmente a empresa não faria num cenário normal.


COMUNICAÇÃO INTERNA: COMO FICAM NOSSOS COLABORADORES?

Nós perguntamos a Ambev e a BASF, o que essas empresas estão fazendo para superar os obstáculos de comunicação e aproximação com os próprios colaboradores? 

Lucas Bragagnolo começa contando sobre a percepção do aumento de reuniões – algo que cresceu exponencialmente, segundo o analista.

“A agenda ficava fechada para reuniões a semana toda e não surgia tempo para de fato executar as tarefas. Como solução para esta peculiaridade nós adotamos a Quarta-Feira Sem Reuniões, onde todo o time tira o dia para capacitação, executar as tarefas pendentes e fazer qualquer coisa exceto reuniões”. 

Toda sexta-feira acontece um happy hour online com o CTO da Ambev, onde todo o time de tecnologia participa e ele passa um feedback a respeito da semana e as percepções sobre o Covid-19.

Segundo Mirella Lisboa, na BASF as reuniões de alinhamento são diárias, de 30 a 40 minutos, garantindo que todo mundo esteja “na mesma página” e que haja integração entre todos os times.

Para descontração do pessoal, criaram a dinâmica do Desafio da Foto, onde dentro dos grupos de trabalho do whatsapp, alguém em algum momento do dia manda uma foto do que está fazendo, o que está comendo, com quem está na quarentena, e as outras pessoas do grupo tem até 1 hora para enviarem uma foto com a mesma temática. 

A dinâmica acontece uma vez de manhã e outra a tarde. Há também o Movimento Estar Bem, que é uma série de iniciativas focadas em promover o bem-estar físico e mental dos colaboradores (conversas com psicólogos, vídeos de ginástica laboral, capacitação profissional).


QUAIS ERAM AS PRIORIDADES ANTES DA PANDEMIA? E AGORA?

João Bezerra Pedrosa Neto, da GCB, perguntou aos nossos convidados à respeito das prioridades de inovação e o contraste entre o “antes” e o “agora”.

Mirella conta que o ONONO continua sendo o elo de conexão e realização de todas as iniciativas (relacionamento com o cliente e o desenvolvimento de novos projetos). 

O novo é que agora a organização também está auxiliando outras áreas que não estavam tão próximas da transformação digital, como o RH que está sendo o foco central disso tudo. Salientou ainda que nada do que for feito durante a crise pode ser interrompido e as soluções de bem-estar e novas tecnologia devem perdurar e ser incorporadas a cultura da empresa.

Já o analista de inovação, Lucas Bragagnolo, diz que a Ambev continua procurando oportunidades em outras áreas de negócio, focando em produtos de tecnologia, mas também na disseminação da cultura de inovação, e para isso estão fazendo uma curadoria de conteúdo de capacitação e sensibilização para os colaboradores, construindo maior interesse em iniciativas e outras temáticas do universo da inovação.

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A AMBEV E A BASF ESTÃO BUSCANDO APOIO DO ECOSSISTEMA?

Quando perguntado sobre a busca de apoio ao ecossistema e, lembrando que a BASF oferece matéria prima para grandes organizações, a Mirella dá o exemplo da empresa Suvinil, que foi muito afetada com a quarentena, já que inicialmente não foi taxada como serviço essencial e teve que fechar as lojas físicas e, dessa forma, não foi possível vender mais pelo principal canal de vendas deles.

Com isso, a BASF junto com a área de inovação da Suvinil, se associou a um ecossistema que tinha uma plataforma de desafios abertos, na categoria Varejo e Logística. 

Eles lançaram esse desafio na plataforma e em 48h receberam uma base com as Startups que estavam dispostas a auxiliar na solução desse desafio. Além disso eles estão investindo em muitos canais para ter várias formas de estar próximo ou chegar até o cliente.

Já na Ambev, o time de inovação está atento as melhores práticas do mercado para serem incorporadas dentro da organização. Para algumas iniciativas, a empresa optou por ser pioneira e, para outras, a empresa está buscando seguir o exemplo com base em cases de sucesso de outros negócios.

Lucas Bragagnolo ainda reforça: a estratégia de inovação aberta é uma ótima forma de ouvir o mercado, essencial para empresas que estão sem ideias e precisam começar a testar coisas novas.

Como engajar em tempos de crise?

Inácio e Ludimila, da Aeris, perguntam quais são as estratégias mais utilizadas para motivar e engajar os colaboradores em um Programa de Inovação (imerso em um momento incerto).

Para engajar os colaboradores, é preciso se manter o mais próximo possível da equipe, para que o distanciamento seja apenas físico.

Quanto às iniciativas de inovação, o momento é de mostrar o valor do projeto mostrando o potencial do mesmo e o quanto ele pode agregar ao apresentar as ações de impacto e esforço, defendendo e aumentando o valor das iniciativas.

Para Mirella, é importante fortalecer a cultura de inovação das empresas. 

Assista também: Cultura de inovação em tempos de crise

“Não estamos falando de negócio ou inovação, é inovação com negócio. Normalmente é a área de inovação que têm as conexões, que conhece o ecossistema externo e tem as parcerias com as universidades, então é pensar no que a área de negócio precisa e como a inovação aberta pode intermediar essa conexão entre dores e soluções”, pontua Mirella Lisboa.


AS ORGANIZAÇÕES ESTÃO DESENVOLVENDO SOLUÇÕES PARA COMBATER O VÍRUS?

A Melina, do Hospital Moinho de Vento, pergunta se as organizações estão desenvolvendo soluções que impactam no combate ao novo Coronavírus.

“A BASF diretamente não, porque nós não trabalhamos com o produto final, mas estamos muito próximos dos clientes que vendem produtos hospitalares e, por isso, temos ações de doação de matéria prima com adaptações das moléculas para se encaixarem melhor aos produtos que são necessários hoje em dia para a proteção e higienização dos hospitais”.

Mirella ainda reforça: “nós estamos trabalhando em P&D para que, de forma ágil, a gente consiga atender a demanda”.

Já o Lucas, responde que a Ambev está monitorando o que está acontecendo no mundo e vendo como eles podem ajudar através do core business da empresa e que, por isso, surgiu a iniciativa de produção do álcool em gel para distribuição nas unidades de saúde. A ideia é ver o que eles podem promover de soluções para as dores, e assim continuar contribuindo.


Como convencer a alta liderança a investir em inovação aberta?

Lincoln Rezende, da ArcelorMittal, perguntou “Como convencer a alta gestão a investir na inovação aberta quando ainda não tem um retorno financeiro claramente estabelecido?”

Na opinião do Lucas, o certo é provar valor aos poucos, deixando que a estratégia ganhe escala sozinha, mostrando como o investimento em inovação pode mudar para melhor o rumo da organização.

Para Mirella, a alta liderança tem que estar embarcada no potencial que a inovação aberta pode trazer de resultados. O primeiro de tudo é olhar para dentro do seu negócio. No caso da BASF, a inovação veio por necessidade do cliente. “Nós percebemos que iríamos perder muitas oportunidades de negócio se não nos adaptarmos, justamente porque o cliente não quer apenas o produto final e a matéria prima, ele quer uma boa experiência, um atendimento diferenciado, uma pesquisa de tendência, uso de big data e etc”. 

Mostrar valor através de pequenas vitórias, pilotos, pílulas e resultados, é uma ótima estratégia para ganhar a confiança e conquistar um investimento maior.


Como manter ativo, de maneira digital e remota, os seus projetos de inovação?

Para concluir, nossa dupla de profissionais inovadores respondem como manter os projetos de inovação ativos, mesmo com esse cenário de incerteza e as turbulências e obstáculos do home office.

Na opinião de Lucas, é preciso estar mais próximo do possível dos seus times, garantindo que todo mundo esteja engajado e utilizando as plataformas e serviços disponíveis no mercado para que isso aconteça.

Para Mirella, é justamente na crise e na dor que nós temos a missão de nos reinventar e a área de inovação precisa pegar essa responsabilidade para si, resolvendo, facilitando e conectando as dores da companhia com as soluções do mercado, sempre de olho nas melhores práticas e aproveitando o melhor de tudo que está surgindo com a crise.

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