Inovação aberta: como dar continuidade, mesmo na crise? Parte 2

Em abril de 2020, nós produzimos a segunda edição do evento “Open Innovation Talks” — uma série de webinars sobre inovação aberta. Essa edição foi totalmente direcionada para esse novo cenário da Covid-19: impactos, desafios e novos objetivos.

Mas, você sabe, de fato, o que é a Inovação Aberta e tudo que ela pode trazer para a sua organização?

Dessa vez, para contribuir com o sucesso do evento e para falar sobre inovação aberta aplicada às empresas, nós convidamos a Carolina Kia Takada, CEO do estúdio de inovação Weme e a Nathalia Almeida, Analista de Inovação da gigante do ramo energético,  AES Tietê. 

Essa  edição do Open Innovation Talks contou com dois dias de evento, sendo este artigo a seleção das melhores perguntas e respostas do segundo dia.

Se você perdeu o segundo dia do evento, fique tranquilo. Nós gravamos para você:

Assista agora: Open Innovation Talks #2 – Weme e AES 

E, caso você não tenha visto os melhores momentos do primeiro dia desse evento, basta clicar aqui.

 

Como está a demanda da inovação dentro das empresas? – Weme

“Nós, profissionais da inovação, sabemos que a estratégia é uma grande aliada das organizações, principalmente em momentos como esse – de crise. Entretanto, sabemos que essa não é a realidade para todas as empresas”, conta Carolina Kia Takado, CEO da Weme.

Considerando o cenário atual e sabendo que, para uma parcela das empresas a inovação não é uma prioridade, nós questionamos a CEO sobre o ponto de vista dela em relação ao momento de crise e as demandas de inovação nas grandes empresas. Elas aumentam ou diminuem?

Carolina ponderou: “neste momento de crise, o primeiro reflexo da organização é olhar para o core business da empresa, focando nas iniciativas do Horizonte 1 da inovação e descartando todo o resto. Mas, para mim, este é o momento de trazer a inovação para o jogo e transformar isso no diferencial competitivo da empresa”.

 

Como uma gigante do ramo energético está lidando com o trabalho remoto? – AÊS Tiête 

Diante de todas as adversidades que estamos enfrentando com essa crise, nas organizações do setor energético, o principal dilema é sobre a tendência de paralisação das atividades que várias empresas adotaram. Não há dúvidas que a energia é parte do setor core da economia e que, além disso, é indispensável no dia a dia, portanto, a paralisação total das atividades é uma utopia nesse setor.  

Nós questionamos a Nathalia Almeida, Analista de Inovação na AES Tietê — empresa do setor de energia renovável — sobre as iniciativas que a AES adotou visando garantir a segurança dos colaboradores nesse novo cenário da Covid-19.

A analista afirmou: “todas as operações foram mantidas de forma natural, mas toda a equipe administrativa está de home office. Além disso, todas as medidas de precaução estão sendo tomadas para garantir a segurança dos operadores de campo, essenciais para o fornecimento de energia. Na visão deles a equipe de inovação está trabalhando mais agora do que nunca”.

 

Os Programas de Inovação continuam a todo vapor? 

Uma dúvida comum em grande parte das empresas está relacionada a dificuldade de dar continuidade aos seus Programas de Inovação à distância e saber se o foco nessa iniciativa deve ser mantido, considerando todos os novos desafios e objetivos desse cenário. 

Para sanar essa dúvida, perguntamos às convidadas sobre a situação do Programa de Inovação em suas respectivas empresas e se houveram transformações provocadas por essa crise.

Para Nathalia Almeida: “a diversidade no portfólio dos projetos de inovação permite que eles sejam distribuídos a curto e longo prazo – isso ajuda muito nesses momentos porque a crise não atinge todas as áreas da mesma forma. Assim, a AES Tietê conseguiu focar nos projetos voltados para software e que já eram acompanhados de forma remota. Além disso optamos por suspender os demais para retomar quando o impacto estiver minimizado”

Em contrapartida, a Weme está ressignificando o que é inovação e direcionando os esforços para a inovação de curto prazo e que geram valor

Carolina ainda reforça: “com esse novo contexto de crise, há um novo desafio e uma nova jornada para o cliente que afeta completamente o comportamento do consumidor, e é esse impacto que deve ser entendido agora e os esforços devem ser direcionados para saná-lo”.

 

Quais os principais desafios para as empresas? 

Nós sabemos que com esse novo cenário — isolamento social e trabalho remoto — novos desafios também surgem. Não é novidade que as empresas estão passando por um processo de adaptação a novas dinâmicas de trabalho e a definição de novos objetivos de curto e longo prazo.

Na Weme precisamos aprender e entender quais foram as mudanças nas dores dos clientes, e, a partir disso, identificar quais as principais dores que devem ser enxergadas como desafio nesse momento, conta Carolina Kia Takado. 

Além disso, identificar o comportamento do cliente é importante para mapear a nova jornada dele e de como a empresa pode se preparar para esse novo desafio. Há também alguns líderes que estão preocupados com a continuidade de uma liderança relevante para o seu time. Por isso, alguns optam por fazer Hackathons e maratonas digitais de conteúdo com a equipe para garantir engajamento e aproximação, evitando uma possível ociosidade dos colaboradores, que também é um dos objetivos desses eventos, afirma Carolina.

Na AES Tietê, Nathalia salienta que a adaptação da comunicação entre os times é um novo desafio e explica que agora essa comunicação é feita de forma muito mais frequente para garantir um alinhamento eficaz, superando o distanciamento da equipe de home office.

 

Relacionamento e proposta de solução para as novas dores

O Open Innovation Talks é um evento colaborativo, e, por isso, abrimos espaço para perguntas e questionamentos no próprio chat da live, pois acreditamos que essa interação deixa a conversa ainda mais rica e produtiva! Afinal, quem melhor que o público de diferentes empresas para saber os principais desafios nesse momento?

A Gabriela Teixeira, expectadora do evento, perguntou às nossas convidadas de que forma as empresas estão fazendo para se aproximar e entender as dores atuais deles, para que assim, possam propor novas soluções.

Carolina explica que a Weme busca entender e identificar as personas prioritárias, ou seja, aquelas que representam os seus clientes, as mudanças que surgem com a crise da Covid-19 e que impactam nas dores já existentes. 

A CEO tenta concentrar tudo em um momento de conversa, reflexão e empatia, com um time focado em conversar com os clientes para entender o que mudou na rotina deles, já que tudo está mudando muito rápido e é preciso que a empresa acompanhe essas mudanças.

Já para a analista de inovação, Nathalia Almeida, o exercício de escutar, agora mais que nunca, deve ser levado a sério. É preciso interpretar, não somente as informações oriundas dos clientes, mas o que está por trás disso, definindo muito bem os planos de ações para resolução dos problemas.

 

Design Thinking faz parte da rotina home office?

Perguntamos às nossas convidadas, Nathalia Almeida e Carolina Kia Takada, se o Design Thinking é uma opção nesse momento e se ambas utilizam ferramentas que facilitam esse abordagem de colaboração, mesmo à distância. 

De acordo com Carolina, a Weme utilizava o Mural.co, pois a ferramenta consegue replicar muito bem a experiência das reuniões presenciais. Além disso, ela afirmou que o Zoom também é utilizado na Weme para sessões de workshops e ideação, isso porque o aplicativo permite separar os participantes em mini-grupos, com salas próprias.

Já na AES Tietê, Nathalia conta que neste momento a empresa está avaliando a melhor plataforma para essa finalidade. Porém, afirma que no dia a dia, eles utilizam muito o Microsoft Teams para reuniões e brainstorming entre as equipes e o Share Point para o compartilhamento de documentos editáveis entre as equipes.

 

Ferramentas de apoio ao Design Thinking

Luciana Testa pergunta se as convidadas conhecem alguma ferramenta online que possa ser utilizada para traçar a jornada do usuário, na fase de entendimento de uma iniciativa de Design Thinking.

Dica: Você conhece as ferramentas de Design Thinking? Confira agora 8 delas!  

Carolina e Nathalia explicam que deve-se se pensar em dois aspectos: a abordagem que será utilizada — Blue Print,  mapeamento de jornada — e a ferramenta de colaboração que será utilizada para preenchimento compartilhado das informações — Mural.co, que simula muito bem a dinâmica presencial.

 

Metodologias de apoio à inovação. 

Vestindo a camisa do nosso time — que adora perguntas! — João Vitor Richa, Account Executive na AEVO, perguntou quais são as metodologias de inovação que apoiam os objetivos de curto prazo, da Weme e AES Tietê.

Nathalia explica que na AES Tietê essas metodologias são, principalmente, as Inovações Incrementais – aquelas que estão no core business da empresa, dentro do seu mercado de atuação e que geram melhorias e incrementos para impulsionar algo que já está sendofeito

De acordo com a analista, nesse momento, o que deve ser feito é uma revisão de todo o processo de interação com o cliente, das personas e a jornada das mesmas para traçar o melhor plano de ação.

Já na Weme, Carolina conta que a empresa utiliza duas principais ferramentas para reprogramar as estratégias de curto prazo: Future Wheels – para entender uma tendência, comportamento ou mudança estrutural na sociedade e colocar isso no centro da questão para compreender todos os impactos de primeira, segunda e terceira ordem que podem impactar no seu modelo de negócio ou no seu cliente final.

Existem projetos para combater o Coronavírus?

Mariana Moutinho, Business Developer na AEVO, questiona as empresas estão envolvidas em projetos com iniciativas específicas relacionadas ao Coronavírus.

Nathalia comenta que a AES Tietê não está envolvida, mas que eles têm visto e acompanhado de perto chamadas muito interessantes relacionadas a Open Innovation. 

A organização não lançou novos desafios porque já estavam tocando alguns projetos e possuem o core business muito conectado com momento atual do mercado de energia, mas estão acompanhando algumas startups que vêm se destacando no cenário atual e desenvolvendo ações sociais para ajudar a minimizar o impacto da Covid-19.

Em contrapartida, Carolina conta que a Weme possui uma startup (souacare) que trabalha com o objetivo de ajudar e orientar organizações que estão passando por esse desafio de manter a operação com um grande número de pessoas – eles possuem um canal de dúvidas e conversa direta com o time de RH para seguir uma jornada de acomapnhamento contínuo junto a empresa.

 

É possível lançar um programa de ideias, mesmo à distância? 

Marcos Marcelino, pergunta durante a live se as convidadas tem alguma sugestão para empresas que estão no momento de criação e estruturação de um Programa de Inovação – agora que as iniciativas estão sendo postergadas.

Caso você esteja passando por esse mesmo dilema, o Canvas do Intraempreendedorismo é uma metodologia para identificar os desafios que a sua empresa precisa superar e para estruturar o seu Programa de Inovação. Além disso, você pode baixar, gratuitamente, um conjunto de planilhas para implantar o programa!

Leia também: Como estruturar um Programa de ideias?

Baixe também: Planilhas para Implantar um Programa de Ideias.

Para ajudar nesse dilema, Nathalia segure que o apoio possa acontecer com as plataformas online, permitindo que a co-criação e colaboração remota continue, facilitando os momentos de imersão de todo o time, já que agora nada deve ser feito de forma individual.

 

Qual é o papel da inovação nesse momento?

Questionamos as convidadas sobre o que elas acreditam ser o papel da área de inovação para as empresas nesse momento de crise.

Carolina afirma que: “a área de inovação continua sendo essencial e primordial para ajudar a organização a não parar, buscando acelerar o que estava no backlog de iniciativas e aprender com o momento atual”.

Nathalia conta que ela acredita na inovação como uma área de suporte que ajuda as outras áreas a inovarem. Entretanto, são as próprias áreas que devem buscar isso, já que elas mais do que ninguém, entendem do seu próprio processo. Ou seja, a inovação deve estar perto e conectada com todas as áreas para entender, dar o suporte e fazer a conexão das dores mapeadas com as possíveis soluções existentes.

 

Inovação aberta e o ecossistema 

Nós questionamos se a AES Tietê e a Weme estão conectadas ou buscando se conectar com o ecossistema de inovação aberta para contribuir e/ou buscar soluções para superar os desafios específicos que surgem com esse cenário de crise.

De acordo com a analista, não é interessante, para AES Tietê, achar que todos os conhecimentos e soluções vão estar dentro da empresa. Trabalhar com o Open Innovation traz um ganho de conhecimento e aprendizado muito alto, isso porque uma startup ou universidade, normalmente, possui um know-how muito específico sobre determinado assunto que você pode agregar ao seu time quando essas ações acontecem.

Carolina acrescenta que, normalmente, as empresas tendem a achar que todos os recursos possíveis estão dentro dela, e, salienta: é uma grande fã das iniciativas de Open Innovation neste momento, pois acredita que assim todos podem se beneficiar. 

 

Porque algumas empresas não apostam na Inovação Aberta?

A Djenane Filuztech, expectadora do evento, pergunta se as convidadas acreditam que muitas empresas ainda encaram a Inovação Aberta como um risco de exposição dos segredos e vulnerabilidade dos negócios, e, por isso, ainda não apostam nesta estratégia.

Nathalia comenta que concorda com essa visão e compartilha que passou por isso no início da sua jornada de inovação. A analista ressalta que a estratégia está muito alinhado a cultura de inovação da empresa. De acordo com ela, é preciso trabalhar fortemente com a alta liderança, sobre a visão dos mesmo à respeito de inovação e mostrar o porquê e como aplicar a Inovação Aberta.

Carolina afirma que isso infelizmente ainda acontece por que muitas empresas têm medo de abrir as suas dores para não perder uma vantagem competitiva, mas complementa: “na Weme, acreditamos que o que diferencia as empresas e gera, de fato, esse diferencial competitivo é justamente o poder de execução que a empresa têm de tirar as coisas do papel. Porque uma ideia não significa nada se não for executada”.

Bom, se você chegou até aqui, acredito que tenha gerado vários insights sobre Inovação Aberta e como ela funciona no ambiente corporativo. Essa estratégia, com certeza, gera muito valor para o seu negócio e para o mercado!

Se você gostou desse artigo, com certeza, vai gostar desse conteúdo: “WEBINAR | Inovação em tempos de crise

Essa webinar foi produzida em parceria com a Inventta — Consultoria de Gerenciamentos — e para esse bate-papo, recebemos a Vedacit e a Time-Now Engenharia.

Quer saber um pouco mais sobre Inovação Aberta? Esses conteúdos serão muito relevantes para você:

Inovação aberta: O que é, como implementar e cases de sucesso.

Inovação Aberta: Aprenda 7 lições com as startups

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