Inovação disruptiva: o que é, características e exemplos

A inovação disruptiva é um processo que transforma ou substitui um serviço, produto ou tecnologia por uma solução inovadora superior. O foco desse tipo de inovação é a busca por uma solução mais eficiente, acessível e simples, e sua principal característica é ser experimental, por isso, gera uma margem de lucro menor, demandando a validação do mercado.

A inovação disruptiva é aquela que produz uma nova solução, capaz de substituir produtos e serviços anteriores dentro de um certo mercado, rompendo paradigmas e criando novos hábitos de consumo.

A inovação é um assunto ao qual vários pesquisadores se dedicam, tentando entender melhor quais são seus tipos e como cada um deles funciona.

Nesse esforço, há cerca de três décadas, um desses pesquisadores – Clayton Christensen, da Universidade de Harvard – introduziu o conceito de inovação disruptiva. 

Entenda melhor o que é inovação disruptiva, quais as características e diferenças para a inovação incremental e radical. Além disso, conheça exemplos práticos de mercado.

O que é inovação disruptiva?

A inovação disruptiva é um processo que transforma ou substitui um serviço, produto ou tecnologia por uma solução inovadora superior. O foco desse tipo de inovação é a busca por uma solução mais eficiente, acessível e simples, e sua principal característica é ser experimental, por isso, gera uma margem de lucro menor, demandando a validação do mercado.

Ao contrário do se pensa, a inovação disruptiva não é, necessariamente, um processo que cria algo revolucionário, nunca antes visto.

Esta solução mais simples substitui uma mais complexa e cara, feita anteriormente; assim, cria-se, por vezes, novos mercados e formas de consumo.

Outra característica relacionada a este tipo de inovação é a margem de lucro.

Como a disrupção traz algo novo e mais experimental para um mercado menor, a margem de lucro também tende a ser menor no princípio – os ganhos na fatia de mercado ocorrerão ao longo do tempo, ao substituir realmente a tecnologia anterior e seus criadores.

O termo “inovação disruptiva” aparece pela primeira vez em 1995, cunhado por Clayton Christensen no artigo “Disruptive Technologies: Catching the Wave”. Nele, o autor começa a articular a teoria que viria a se consolidar em livros posteriormente.

Saiba mais:
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Gestão da inovação: o que é, qual a importância e os pilares

Inovação disruptiva na indústria da música

Para entender melhor o que é esse tipo de inovação, vamos trabalhar com um exemplo clássico: o caso da indústria da música.

Ao longo dos anos, novas soluções superiores de tecnologia foram sendo desenvolvidas para servir de mídia para a venda e reprodução de músicas: discos de vinil, fitas cassete, CDs, dispositivos MP3 e, mais recentemente, plataformas de streaming como Spotify, Deezer, Apple Music, entre outras.

A oferta de cada nova solução derrubava as anteriores, pois tornava o acesso à música mais amplo, prático e até mais barato. Tanto que hoje se torna cada vez mais difícil encontrar CDs à venda.   

Por isso, é importante saber que a inovação disruptiva não gera soluções mais caras ou complexas. Pelo contrário, ela pode abrir portas para que públicos antes negligenciados também tenham oportunidade de consumir. 

Diferença de inovação disruptiva e inovação radical

Os termos “inovação disruptiva” e “inovação radical” podem remeter a ideias semelhantes. No entanto, esses dois tipos de inovação não podem ser confundidos.

A melhor maneira de resumir a relação entre elas é assim: 

Toda inovação disruptiva é radical; porém, nem toda inovação radical é disruptiva.  

A inovação radical é uma inovação de crescimento nas empresas, cujo foco é explorar novas alternativas, seja pelo desenvolvimento de novas soluções ou pelo ingresso em um mercado diferente do core business original do negócio. 

Enquanto isso, como já vimos, a inovação disruptiva é aquela que promove uma verdadeira ruptura de paradigmas e formação de novos hábitos de consumo. 

Nem toda inovação radical chega promover esses efeitos. Por isso, existem inovações radicais que não podem ser consideradas disruptivas. 

Diferença entre inovação disruptiva e incremental

Além da radical, outro tipo de inovação que você já deve ouvir falar com frequência é a inovação incremental. Entendê-la, e saber compará-la a outros modelos, é fundamental no processo de elaborar uma estratégia inteligente para obter os melhores resultados.

Para te ajudar nesse entendimento, vamos te apresentar as diferenças entre a inovação disruptiva e a inovação incremental.

Vale a pena lembrar que uma estratégia de inovação pode – e, em geral, deve – contemplar diferentes tipos. Por isso, não se trata de escolher entre elas, mas de entender como cada uma deve ser trabalhada na realidade da sua empresa.

Características da inovação incremental

inovação incremental é aquela que implementa melhorias em um processo ou uma solução que já existe. Assim, é possível atingir níveis progressivamente mais altos de eficiência e desempenho.

Um exemplo interessante de inovação incremental é o caso da indústria de smartphones.

Embora sejam lançados modelos completamente novos, o mais comum é que, a cada ano, as grandes marcas lancem versões novas de aparelhos que já existem.

Eles podem ter câmeras com resolução maior, ou uma bateria com capacidade para mais horas; no entanto, os traços principais do produto se mantêm.

Desta forma, as fabricantes ganham muito tempo e reduzem custos no desenvolvimento; em simultâneo, o resultado tende a ser sempre superior ao que já existia. Ou seja, existe um ganho para a empresa e para o consumidor.

Em geral, a maior parte das inovações incrementais nas empresas é gerada por meio de Programas de Ideias.

Conceito e particularidades

A primeira diferença está no próprio conceito de inovação disruptiva e incremental. Enquanto a primeira consiste em desenvolver algo novo, que substitui o que existia antes, a segunda consiste em implementar uma melhoria no que já existe.

Investimento em inovações disruptivas vs inovação incremental

O grau de investimento necessário para a inovação disruptiva tende a ser maior, já que é preciso partir do zero para criar algo novo.

Enquanto isso, para a inovação incremental, é possível aproveitar uma boa parte da solução ou processo que já existe, concentrando o investimento em aspectos pontuais.

É importante ter em mente que, ao falar em investimento, não estamos nos referindo apenas aos recursos financeiros, mas também a mão de obra e tempo.

Risco da inovação disruptiva é mais elevado

Quando você cria algo completamente novo, existem mais incertezas a respeito da sua viabilidade e, até mesmo, da aceitação que ela vai conquistar.

Enquanto isso, no caso da inovação incremental, pelo menos algumas informações estão disponíveis, uma vez que o novo processo ou solução compartilha traços em comum com algo que já foi feito antes.

Mesmo assim, toda inovação tem um certo grau de risco, associado com a incerteza. Além disso, seguindo uma regra básica da economia, quanto maior o risco, maior o retorno

Ou seja, quando uma inovação disruptiva dá certo, ela tem potencial para gerar benefícios muito maiores do que uma inovação incremental.

Resultados

A inovação disruptiva gera resultados a longo prazo. Um exemplo concreto é o caso do Spotify, serviço de streaming que revolucionou a indústria da música.

Apesar de ter sido lançado em 2008, ele só chegou aos EUA e começou a crescer realmente a partir de 2011.

Outro aspecto importante é que a inovação disruptiva pode chegar ao mercado, ganhar consumidores e substituir os concorrentes, sem se tornar realmente lucrativa.

Empresas como Uber já transformaram seu mercado completamente, e passou por um ciclo de rampagem até gerar lucro no ano de 2022. Comprovando o seu o potencial de lucratividade e retorno sob o investimento.

Por outro lado, a inovação incremental gera resultados a curto prazo.

Isso acontece por dois motivos: porque o tempo necessário para produzir a inovação em si é menor e porque já existe um público cativo.

É por isso que a Apple consegue lançar um novo modelo do iPhone todos os anos e as vendas atingem milhões de unidades em poucos dias.

Ela não precisa começar o projeto do zero, e os consumidores já estão familiarizados com o produto. O principal objetivo da empresa, neste caso, é não permitir que seu produto se torne obsoleto.

Exemplos de inovação disruptiva

Vamos aos cases de sucesso. Essas empresas aparecem com frequência na mídia e você provavelmente utiliza as soluções de algumas (ou todas).

Agora, você vai entender por que elas atraíram tanta atenção e como elas estão transformando o mercado.

Veja esses 5 exemplos de inovação disruptiva:

Netflix

Netflix

A Netflix trouxe uma solução na forma de plataforma de streaming de vídeo que substituiu o que existia antes: as videolocadoras. Além disso, também substituiu os DVDs e Blu-rays.

Hoje, pouquíssimos consumidores alugam ou compram mídia física para assistir a um filme ou série.

Em vez disso, as pessoas pagam uma mensalidade para ter acesso a uma conta no software, por meio da qual elas podem assistir a uma grande variedade de filmes e séries, sem limite. É um case de SaaS – Software as a Service.

A transformação no comportamento do consumidor é visível. Antes, era preciso pagar por cada vídeo alugado ou comprado e, por isso, havia uma clara limitação financeira.

Assistir a filmes era um evento, e acontecia esporadicamente. Agora, não existe mais essa limitação, e os consumidores têm acesso bem mais amplo ao entretenimento em vídeo.

Você provavelmente conhece alguém que nem assiste mais à TV comum, e passa várias horas por dia explorando e “maratonando ” filmes e séries. Isso tornou-se possível graças à solução da Netflix.

Yellow

yellow

A Yellow é uma empresa que desenvolveu uma solução de bikes e patinetes elétricos compartilhados. Por meio do aplicativo da empresa, as pessoas podiam liberar uma bicicleta para se deslocar dentro da cidade.

Hoje, as operações da Yellow no Brasil foram interrompidas, mas isso não muda o fato de que esse foi um dos grandes exemplos de inovação disruptiva dos últimos anos.

A solução da Yellow permitiu que muitas pessoas pudessem se locomover de maneira mais prática, ágil, econômica e sustentável, especialmente nos grandes centros urbanos.

O usuário tem todos os benefícios de usar uma bicicleta: não ficar preso no trânsito, não ter que pagar um valor alto de combustível ou passagem, não emitir poluentes.

Ao mesmo tempo, ele está livre de preocupações com a bike, como ter que cuidar das manutenções ou correr o risco de que ela seja roubada.

Enquanto as operações no Brasil duraram, muitas pessoas pararam de usar ônibus, táxis e carros de aplicativo, e passaram a realizar seus trajetos de bicicleta.

Nubank

nubank

O Nubank começou apenas oferecendo uma solução em cartão de crédito, embora hoje ele também ofereça conta digital, investimentos e até transferência internacional.

Desde o começo, sua proposta era um cartão sem anuidade e que pudesse ser 100% controlado pelo App. Assim, ele propunha resolver os dois maiores problemas dos cartões que já existiam: anuidade abusiva e atendimento ruim.

Em pouco tempo, muitas pessoas já tinham solicitado o “roxinho”, e aqueles que conseguiram ser aprovados, passaram a usá-lo como seu cartão primário ou até substituíram completamente os cartões de bancos tradicionais pelo da Nubank.

Hoje, a empresa tem mais de 10 milhões de clientes que usam seu cartão, além de 12 milhões que usam a Nuconta.

Uma pesquisa da própria Nubank, com 3.500 clientes, mostra que o roxinho foi o primeiro cartão de crédito para 20% deles; entre os clientes com 18 a 24 anos, a porcentagem sobe para 46%.

Isso mostra que a empresa levou o acesso a um cartão de crédito a pessoas que, antes, não conseguiam ter um, pois não eram aprovados pelas instituições financeiras tradicionais.

Zaitt

zaitt

A Zaitt é uma empresa que está avançando com a proposta do mercado inteligente, ou mercado autônomo, onde as pessoas podem entrar e fazer suas compras a qualquer hora do dia ou da noite, sem precisar passar pelo caixa.

Com um aplicativo, é possível escanear os códigos dos produtos comprados e realizar o pagamento.

A proposta é permitir que as compras sejam feitas mais rapidamente. Além disso, também é mais seguro, já que não ocorrem operações com dinheiro no local.

Por isso, o mercado autônomo tem potencial para, futuramente, substituir os mercados tradicionais com os quais estamos acostumados.

Embora a Zaitt esteja em um momento mais inicial do que os outros exemplos de inovação disruptiva que vimos aqui, vale a pena ficar de olho neste case, pois ele apresenta a base fundamental para estimular a mudança no comportamento dos consumidores: uma solução que oferece mais agilidade, praticidade e segurança.

Rappi

Rappi

A Rappi realmente deslanchou durante a pandemia, quando a possibilidade de ter qualquer coisa entregue na sua casa tornou-se uma salvação para quem estava tentando manter o isolamento social.

Um estudo da Mobills mostrou que os gastos no app de entrega em maio de 2020 apresentaram alta de 149,1% em relação a janeiro.

Antes da Rappi, o delivery era limitado a restaurantes que ofereciam o serviço ou à contratação direta de um entregador para pequenas encomendas.

Com a solução que a empresa colocou no mercado, agora é possível pedir delivery de, basicamente, qualquer coisa: compras de supermercado, medicamentos da farmácia, itens personalizados.

A tendência é que os consumidores continuem utilizando a Rappi, ao invés de fazer suas próprias entregas, mesmo depois que a pandemia acabar. Afinal, a solução do aplicativo permite economizar tempo, recurso cada vez mais valorizado.

Nesse caso, a inovação disruptiva não esteve apenas em tornar uma atividade mais rápida, mas em permitir terceirizá-la completamente.

Dessa forma, enquanto outra pessoa busca e traz o que você precisa, você pode passar mais tempo se dedicando ao que considera importante: família, trabalho e lazer.

Para reforçar o aprendizado do tema, resumimos os principais tópicos abordados no texto na FAQ abaixo, confira:

O que é inovação disruptiva e seus impactos?

A inovação disruptiva é aquela que produz uma nova solução, capaz de substituir produtos e serviços anteriores de um certo mercado, seu impacto rompe paradigmas e cria novos hábitos de consumo.

Quais são as características da inovação disruptiva?

A inovação disruptiva tem como característica a criação de algo completamente novo, que necessita de um maior investimento. Ideias disruptivas têm maiores riscos, margem de lucro e público-alvo menor, pois só se comprovam no longo prazo.

Quais são os exemplos de tecnologias disruptivas?

Bons exemplos de tecnologias disruptivas são: 1 – A Netflix, que disruptou o mercado de videolocadoras; 2 – A Uber, que transformou a forma de utilizar meios de transporte; 3 – a Inteligência Artificial, modificando uma série de produtos e processos em todo o mundo.


Conclusão

Investir na inovação disruptiva é apostar no futuro e buscar o crescimento da sua empresa.

Através dela, você poderá transformar o mercado em que está inserido e contribuir para mudanças no comportamento do consumidor.

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Luís Felipe Carvalho

Luís Felipe Carvalho é um dos fundadores e, atualmente, CEO da AEVO; está há mais de 16 anos à frente de iniciativas para alavancar a inovação de empresas do Brasil e do mundo. Ao longo de sua trajetória, acumula experiências em gestão e implantação de projetos de inovação, buscando formas de gerar resultados para corporações também por meio do incentivo ao intraempreendedorismo. Graduado em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Espírito Santo, cursou MBA em Gestão Empresarial e possui certificação PMP (Project Management Professional) concedida pelo Project Management Institute. Foi analista de projetos e liderou programas inovadores em grandes companhias de segmentos como engenharia e siderurgia. Integrou ainda o corpo docente da FUCAPE Business School, ministrando disciplinas de Project Management Office (PMO), Portfólio e Maturidade em Projetos e Gerenciamento de Riscos.

Luís Felipe Carvalho

Luís Felipe Carvalho

Luís Felipe Carvalho é um dos fundadores e, atualmente, CEO da AEVO; está há mais de 16 anos à frente de iniciativas para alavancar a inovação de empresas do Brasil e do mundo. Ao longo de sua trajetória, acumula experiências em gestão e implantação de projetos de inovação, buscando formas de gerar resultados para corporações também por meio do incentivo ao intraempreendedorismo. Graduado em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Espírito Santo, cursou MBA em Gestão Empresarial e possui certificação PMP (Project Management Professional) concedida pelo Project Management Institute. Foi analista de projetos e liderou programas inovadores em grandes companhias de segmentos como engenharia e siderurgia. Integrou ainda o corpo docente da FUCAPE Business School, ministrando disciplinas de Project Management Office (PMO), Portfólio e Maturidade em Projetos e Gerenciamento de Riscos.

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