inovação

Tudo o que você precisa saber!

Roberto Menezes

Roberto Menezes

Publicado em 27/08/2020

A inovação é bastante ampla, com diferentes aplicações, autores e contextos. Para a AEVO, inovação é a implementação de ideias ou sugestões de melhoria que geram valor para o negócio. 

O QUE É INOVAÇÃO?

O que é inovação?

No contexto de uma empresa, uma inovação é uma ideia que foi implantada e pode ser explorada com sucesso. Ela deve gerar algum retorno para a organização, seja aumento de faturamento, redução de custos, melhoria nas condições de trabalho, entre outras. 

Quando pensamos no termo inovação, geralmente associamos a algo totalmente revolucionário e genial. Muitos pensam que uma ideia inovadora é algo jamais visto. 

Mas a grande verdade é que geralmente temos uma visão muito idealizada desse conceito. Entendemos o ato de inovar como um ideal inalcançável, um luxo ou uma utopia. Afinal, algo inovador só pode ser criado por uma pessoa naturalmente brilhante com recursos organizacionais e financeiros praticamente infinitos, certo? Errado! 

Trazendo para o contexto corporativo, a inovação muitas vezes não surge justamente por conta dessas percepções incorretas do que significa, de fato, uma cultura de inovação na empresa. 

Que tal quebrarmos esse paradigma? Confira, a seguir, quais são os mitos existentes no caminho para inovar e veja como é possível superar esses obstáculos e colocar esse conceito em prática para gerar diferenciais em sua empresa. 

MITOS SOBRE INOVAÇÃO NO AMBIENTE CORPORATIVO

Consideramos um mito toda percepção sem embasamento e que não corresponde à realidade. E quando o assunto é inovação, é necessário pensar nos mitos como as desculpas que funcionários e gestores de diversos setores podem estar reproduzindo e colocando como uma barreira sem antes avaliar e trabalhar o caminho mais adequado para o progresso da organização. Considere, por exemplo, as seguintes frases que representam mitos comuns (e incorretos) sobre inovação: 

“NOSSA EQUIPE É CRIATIVA, ELA ESTÁ PRONTA PARA INOVAR!”

Criatividade e inovação não são a mesma coisa. São, na verdade, partes do mesmo processo. A criatividade é a matéria-prima, o input, enquanto a inovação é o resultado do processo, o output. 

Ter uma ideia criativa e até mesmo desenvolver um produto a partir dessa ideia não significa que sua empresa está inovando. Lembre-se: a inovação ocorre no momento em que ideias novas geram valor. 

“NOSSA EMPRESA ESTÁ SEGUINDO A TENDÊNCIA DE INOVAÇÃO DO NOSSO MERCADO”

Pode parecer óbvio, mas uma inovação deve ser algo novo para o mercado. Independentemente do escopo e da proposta, deve trazer algo novo para um processo, produto, canal de distribuição ou modelo de negócio. 

Assim, se a empresa apenas segue algo que as demais estão fazendo, isso é adaptação, não inovação. Mesmo que seja algo que a empresa nunca fez antes. 

“INOVAÇÃO É SOMENTE SOBRE O PRODUTO”

Ideias impactantes para a empresa podem se manifestar de diferentes formas e dimensões, como demonstrado pelos diferentes tipos de inovação, podendo ocorrer em processos internos, por exemplo. 

“INOVAR É ALGO QUE SÓ MENTES GENIAIS PODEM FAZER”

O processo de inovação não vem de um talento inato ou traço pessoal. É um processo que exige competência e trabalho de desenvolvimento constante. É possível fazer com que se aprenda a inovar independentemente da personalidade inata de seus funcionários! 

“NÃO É POSSÍVEL PREVER QUANDO UMA SOLUÇÃO INOVADORA SURGE”

Isso vem da percepção do senso comum sobre inovação disruptiva: algo imprevisível que parece surgir do nada, como uma “inspiração divina” disponível para poucos escolhidos. 

Na verdade, embora inovar seja um processo com maior imprevisibilidade em relação a outros caminhos, é possível, sim, identificar padrões e trabalhar novas estruturas e novos modelos para gerar uma maior taxa de sucesso com a cultura de inovação. 

A P&G, por exemplo, tem em seu programa “Conectar + Desenvolver” um sistema que permite que a organização possa ter auxílio e visão de como fenômenos, novas ideias e conhecimentos externos podem impactar seu negócio, gerando uma maior previsibilidade quando à geração da inovação. 

“INOVAÇÃO DEPENDE SOMENTE DE UM PROCESSO BEM ESTRUTURADO”

O processo é só uma parte do todo. É possível ter um processo bem estruturado e não obter sucesso. A inovação precisa também ser parte da estratégia, da cultura organizacional, estar no DNA e no jeito de ser da organização, orientando tarefas, comportamentos, ações e as tomadas de decisão. 

“INOVAMOS SOMENTE DE ACORDO COM NOSSO CLIENTE”

Personalidades como Henry Ford e Steve Jobs já provaram que, no fundo, o cliente muitas vezes não sabe exatamente o que deseja ainda. 

Feedback é importante para o projeto e para gerar melhores experiências para o cliente, mas é preciso equilíbrio entre reação e autonomia quando o assunto é inovar. Infelizmente, a inovação nem sempre está no caminho do que o cliente busca mais imediatamente ou significa o que ele pensa que deseja hoje. 

“INOVAÇÃO É FEITA COM TECNOLOGIA”

Assim como processos bem estruturados, é possível ter as mais novas tecnologias do mercado em sua empresa, mas não ser inovador. 

Redefinir modelos de negócio, criar processos diferenciados, tudo isso pode ser inovação e não depende, necessariamente, de uma nova tecnologia. Um exemplo disso é a empresa de linhas aéreas Gol, que inovou ao modificar seu modelo de negócios. 

“A INOVAÇÃO É RESPONSABILIDADE DO NOSSO SETOR DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO”

Nenhuma cultura de inovação sobrevive limitada a um setor ou a uma função de um determinado cargo. É preciso democratizar e permitir que essa atitude inovadora permeie toda a empresa. 

Muitas empresas utilizam programas de ideias para permitir que todos os seus colaboradores possam sugerir soluções para os principais desafios organizacionais. Existem, inclusive, plataformas de software especializadas para esse fim, como o AEVO Innovate. 

“INOVAR EXIGE MUITOS RECURSOS!”

Ter mais dinheiro talvez não prejudique, mas não é somente o investimento que faz com que as inovações gerem valor para o negócio. Inclusive, nota-se justamente o contrário. 

As empresas que mais inovam não são as que mais investem, e sim aquelas que sabem gerenciar essa cadeia de valor. 

A Apple, por exemplo, considerada a empresa mais inovadora no mundo, está em 70º lugar no ranking das que investem as maiores somas monetárias. 

OS PILARES DA INOVAÇÃO

O momento de tomada de decisão em uma empresa impacta investimentos. E quando se fala de inovação, um engano comum é ater-se apenas a um tipo de investimento.  

Em fevereiro de 1991, James G. March, professor de Stanford, lança seu estudo Exploration and Explotation in Organizational Learning. Ou, em uma tradução livre, Exploração e Explotação no Ensino Organizacional. Nele, March propõe que há um risco quando se coloca o foco apenas em um tipo de atividade. Nesse caso: 

INOVAÇÕES DE SUSTENTAÇÃO

Ações de explotação (exploitation): atividades voltadas para o refinamento e a eficiência dos processos. No contexto da empresa, são as formas de desenvolver produtos e serviços já estabelecidos. As pequenas melhorias e a inovação incremental em produtos já existentes são exemplos de ações de explotação. 

INOVAÇÕES DE CRESCIMENTO

Ações de exploração (exploration): atividades voltadas para a experimentação. No contexto da empresa, são as novas formas de gerar valor. A inovação radical de produtos e serviços únicos e o risco na tomada de decisão estão diretamente ligados a essa atividade. 

Dessa forma, o que faz com que uma organização tenha sucesso na inovação é sua capacidade de inovar e ainda assim ser eficiente. Como vimos, a inovação é um ato de risco. E lidar com o risco em todas as esferas da empresa nem sempre pode se resumir a uma inovação radical. É preciso cuidar da base.  

AMBIDESTRIA ORGANIZACIONAL

O equilíbrio entre o investimento de inovações capazes de melhorar o seu core business (exploitation) e construir o seu futuro (exploration) é conhecido como ambidestria organizacionalNós temos um artigo completo sobre esse assunto, clique aqui para lê-lo. 

10 TIPOS DE INOVAÇÃO

10 tipos de inovação!

Segundo Larry Keeley, existem dez tipos de inovaçãoKeeley é presidente e co-fundador da Doblin Inc., uma das empresas mais conhecidas em estratégia de inovação (atualmente incorporada como uma unidade da consultoria Deloitte).  

O executivo escreveu um livro intitulado ‘Dez tipos de inovação’ no qual descreve um pouco do seu método e sua experiência como consultor.  

Você certamente está se perguntando o porquê de ser tão importante conhecer e reconhecer os tipos de inovação que podem ser desenvolvidos dentro da sua empresa. Bem, existem pelo menos dois motivos. 

O primeiro motivo é que, ao conhecer os tipos de inovação, você pode incentivar sua organização e seus colaboradores a serem inovadores de uma maneira mais variada. Essa é uma vantagem competitiva importante, pois a maioria das empresas apenas atém-se a alguns dos tipos mais óbvios de inovação. 

O segundo motivo é que cada tipo de inovação tem suas próprias particularidades. Conhecê-los vai permitir que você tome decisões estratégicas mais assertivas em relação a cada um deles. Assim, a sua taxa de sucesso em inovação vai disparar. 

Agora que você já sabe o porquê conhecer os tipos de inovação, vamos ver quais são eles? 

Os 10 tipos de inovação são:  

  • Inovações de configuração: 
    • Modelo de lucro 
    • Rede 
    • Estrutura 
    • Processo 
  • Inovações de oferta: 
    • Desempenho de produto 
    • Sistema de produto 
  • Inovações de experiência: 
    • Serviços 
    • Canal 
    • Marca 
  • Envolvimento do cliente 

Vamos ver as características de cada um dos tipos de inovação? 

1.MODELO DE LUCRO

As inovações no modelo de lucro, como você deve imaginar, revisam o modelo de negócios para encontrar outras maneiras de gerar lucro. Quer ver um exemplo? Quando os aplicativos para smartphone ainda eram novidade e nem todo mundo estava disposto a pagar por eles, alguém teve a ideia de obter lucro com anúncios nas versões “free”, gratuitas dos aplicativos. Essa foi uma inovação no modelo de lucro das empresas desenvolvedoras de aplicativos, que acharam uma maneira de obter receita mesmo quando não estavam de fato vendendo seu produto ao seu cliente. 

2. REDE

As inovações na rede dizem respeito a encontrar maneiras de criar conexões para produzir benefícios a todos os envolvidos. Atualmente, isso é cada vez mais comum. As empresas promovem parcerias em que as forças do parceiro permitem que você supere suas próprias fraquezas. 

Mas as redes não precisam ser formadas entre empresas. Elas também podem ocorrer de maneira mais aberta, por exemplo, com profissionais autônomos. Isso faz parte das tendências de flexibilização do trabalho. Um bom exemplo são os serviços de mobilidade urbana, em que a empresa por trás do serviço forma uma rede com todos aqueles motoristas cadastrados em seu sistema. 

3. ESTRUTURA

As inovações de estrutura estão relacionadas ao modo como a empresa dispõe dos seus vários ativos, sejam materiais ou humanos, tangíveis ou intangíveis. Assim, por exemplo, quando a organização desenvolve um novo programa para identificar talentos e desenvolver lideranças, está implementando uma inovação de estrutura. Quando ela cria uma campanha para reduzir consumo e desperdício de insumos de escritório, também. 

4. PROCESSO

As inovações de processo estão entre as mais conhecidas. Elas estão no nível operacional, e podem ser traduzidas como inovações no modo como uma certa atividade é desenvolvida. Atualmente, a palavra de ordem em inovação de processo é lean, ou enxuto: as empresas buscam maneiras mais simples, livres de desperdício de tempo, esforço ou recursos, para produzir os mesmos resultados que seus concorrentes. 

5. DESEMPENHO DE PRODUTO

As inovações de desempenho de produto buscam trazer melhorias para o produto, reforçando sua proposta de valor, seus atributos ou sua qualidade. É esse tipo de inovação que você está vendo quando uma fabricante de equipamentos eletrônicos lança um novo computador que promete mais desempenho, ou quando uma montadora de automóveis coloca no mercado um carro que consome menos combustível, por exemplo. 

Esses são exemplos grandes, mas toda empresa busca inovação de desempenho de produto, desde aquela que produz tampas de canetas até aquela que desenvolve tanques de guerra. E, claro, isso não se aplica somente às empresas que trabalham literalmente com fabricação: o mesmo vale para empresas de serviços, de comércio. 

6. SISTEMA DE PRODUTO

As inovações de sistema de produto são aquelas que encontram maneiras de reforçar a complementaridade entre os produtos que sua empresa oferece. Talvez a Apple seja um dos exemplos mais claros, porque cada equipamento complementa o outro de uma maneira que produtos de outras empresas não podem fazer. Não é a toa que clientes da Apple, em geral, compram diferentes itens da marca: o computador, o tablet, o smartphone, os fones de ouvido, a caneta stylus, e assim por diante. O conceito por trás desse tipo de inovação é simples, mas forte: o cliente tira o máximo de benefício do seu produto quando o utiliza em conjunto com outros produtos da sua empresa. 

6. SERVIÇOS

As inovações de serviços não são apenas para as empresas de serviços. Atualmente, a maioria das empresas fabricantes de produtos estão encontrando maneiras de inovar com serviços que aumentam o valor percebido por seus clientes. É aí que entram seguros especiais, garantias estendidas, suporte ao usuário, e assim por diante. Eles não são o item principal da compra, mas apresentam um papel importante ao melhorar a qualidade da experiência do seu cliente. 

6. CANAL

As inovações de canal estão focadas em responder a uma questão: como o seu produto chega até o cliente? A grande tendência dos últimos anos está no comércio eletrônico, que permite que qualquer pessoa tenha acesso aos produtos que deseja sem sair de casa. Porém, é justamente nesse cenário que as inovações em relação às lojas tradicionais podem ter ainda mais impacto. O principal exemplo recente foi o lançamento da Amazon Go, loja física da Amazon em que não há nenhum funcionário. O cliente entra, pega o que precisa, sai, e a cobrança é feita automaticamente no cartão de crédito registrado. 

7. MARCA

As inovações de marca dizem respeito ao modo como o cliente vê sua empresa, buscando garantir que ele reconheça, se lembre e escolha o seu produto na hora de comprar. Quer um exemplo simples? O detergente é um produto geralmente vendido com a promessa de ser econômico. Porém, a Ypê fez uma inovação de marca ao focar suas propagandas no fato de que ela é uma organização preocupada com o meio-ambiente. Por isso, consumidores que têm uma forte consciência ecológica vão se lembrar da Ypê na hora de comprar detergente. 

8. ENVOLVIMENTO DO CLIENTE

As inovações de envolvimento do cliente buscam criar novas maneiras de promover a interação e o diálogo entre a empresa e os clientes. Houve um tempo em que as redes sociais promoveram uma verdadeira revolução no envolvimento do cliente. Hoje, esse tipo de inovação exige uma ousadia ainda maior. A busca é por proximidade, pelo contato um a um, orgânico e autêntico. 

Esses são os 10 tipos de inovação que Larry Keeley destaca. Todos são igualmente importantes e, portanto, você deve estimular seus colaboradores a encontrar maneiras de explorar todos eles. Quanto mais variedade houver na inovação, mais forte será sua vantagem competitiva. E então, qual deles já é mais presente na sua empresa? Qual deles ainda precisa de uma atenção especial da sua equipe? 

CONHEÇA OS HORIZONTES DE INOVAÇÃO

Pensando em dar aos gestores e executivos do mundo todo um motivo a mais para resgatarem suas merecidas noites de sono, a McKinsey&Company criou as três dimensões que o gestor deve ter em mente para promover o crescimento do negócio de maneira consistente ao longo do tempo. 

O framework foi lançado no livro “Alquimia do Crescimento”, em 1999, ou seja, já é um conceito bem antigo e já foi amplamente incorporado para auxiliar as organizações a garantirem o balanceamento entre inovações de curto de longo prazo (ambidestria organizacional). 

A representação dos horizontes de inovação é feita em um gráfico com dois eixos: o eixo vertical, do crescimento; e o eixo horizontal, do tempo: 

Conheça os três horizontes de inovação

HORIZONTE 1: CORE BUSINESS

No Horizonte 1 nós precisamos cuidar muito bem das nossas vacas leiteiras, ou seja, aprimorar e/ou otimizar produtos e processos que estão diretamente ligados ao core business da minha empresa e que são atualmente a minha maior fonte de receita. 

Já ouviu falar que em time que está ganhando não se mexe? Pois é, esqueça completamente esse pensamento! Afinal, não dá para inovar fazendo mais do mesmo, correto?  

Empresas como a AmbevAerisAviva são excelentes exemplos de como mexer em “time que está ganhando” traz resultados incríveis. Todas essas organizações utilizaram o Programa de Inovação para trazer seus colaboradores para o centro do protagonismo corporativo, uma vez que essas pessoas estão a frente dos processos, serviços e produtos que representam o core business da empresa e que, sem dúvidas, sabem melhor do que ninguém como resolver problemas e criar novas soluções. 

Veja também: O que é o Programa de Ideias? 

Para o Horizonte 1, nós temos o exemplo da BIC. Sabe a caneta que todo mundo conhece? Ela está há décadas no mercado e, ainda hoje, é uma campeã de vendas em todo o mundo.  

Provavelmente você pode estar pensando que a caneta BIC é um produto tão incrível, que mesmo ao longo dos anos ela continua sendo imbatível. Mas a verdade é que houve muito trabalho na evolução desse produto ao longo das décadas, que permitiu que ela se tornasse mais confortável, leve, resistente e segura – tudo para que hoje você consiga ir a uma papelaria e comprar a sua unidade. 
 

HORIZONTE 2: NOVOS NEGÓCIOS EMERGENTES

No Horizonte 2 o foco é explorar novas oportunidades de negócios, mas que sejam uma extensão direta do carro-chefe da sua organização. 

Exemplo: lançar um novo produto ou expandir para um novo mercado. Aqui nós estamos falando da empresa aproveitar competências que ela tem e dar um passo em um mercado que ela não explorou inicialmente. 

A inovação nesse horizonte não é muito arriscada, porque parte de algo que a empresa já faz, já conhece, e desenvolve a partir disso. O investimento nesse horizonte tende a ser alto, pois a promessa de retorno também é. 

Como exemplo podemos pensar no Uber Eats, que é o aproveitamento do mercado adjacente da própria Uber. Não entendeu? Nós explicamos: a empresa já está consolidada em um mercado de transporte, então entrar no mercado de delivery de comida faz todo sentido, já que ela já domina o transporte. 

A estratégia da Uber é incorporar os mercados que estão próximos ao seu core business, transformando produtos com baixo market share, localizados em um mercado em alto crescimento (Apostas), em verdadeiras Estrelas.  

A Uber Eats pode um dia representar o futuro da Uber, afinal, é o que queremos com qualquer aposta.

HORIZONTE 3: EXPERIMENTAÇÃO

Nesse horizonte, a empresa trabalha com hipóteses. São ideias que precisam ser testadas e validadas, e não há uma previsão concreta de resultado. Nesse horizonte, o investimento deve ser voltado a viabilizar a experimentações. Aqui, eu estou falando de geralmente de projetos de inovação que têm um alto grau de incerteza e risco associado.  

Podemos pensar no Elon Musk apostando no Hyperloop (um transporte de tubos a vácuo para as grandes metrópoles). 

O futuro desse projeto é incerto, uma vez que o próprio Elon Musk não possui garantias de que a estratégia dará certo, de que terá viabilidade comercial ou mesmo que as pessoas se sentirão confortáveis com a ideia. 

Entretanto, se o Hyperloop der certo, pode ser um serviço de transporte completamente disruptivo, capaz de mudar os hábitos de consumo das pessoas em geral. 

Ainda seguindo pela linha de projetos com alta incerteza, temos o táxi híbrido da Uber, comunicado pela empresa em setembro de 2019. Existe uma tecnologia que precisa ser validada, é preciso haver viabilidade técnica para isso, ou seja, o caminho é longo, mas esse pode ser uma grande Estrela, garantindo o futuro da organização. 

QUANTO INVESTIR EM CADA HORIZONTE DE INOVAÇÃO?

Conheça o portfólio de investimentos em inovação da Google

HORIZONTE 1: INVESTIMENTO NO CORE BUSINESS

Agora que a gente já viu como que se organizam cada um dos horizontes de inovação, uma pergunta que você pode estar se fazendo é: “Quanto que eu devo investir do meu orçamento total de inovação em cada um dos horizontes?” 

Para isso, nós podemos nos guiar pela regra 70 / 20 / 10, muito utilizada por Eric Schmidt, presidente da Google por muitos anos.  

Com essa regra, nós disponibilizamos 70% do nosso orçamento para inovações de Horizonte 1. 

Lembra quando falamos sobre inovações incrementais e envolvimento dos colaboradores acima? Nós estávamos falando justamente disso: utilizar 70% dos seus recursos para investir no core business da sua empresa. 

Investir a maior parte do seu orçamento de inovação em inovações incrementais, que buscam aprimorar o seu core, vai fazer muito sentido porque é um mercado que o seu negócio já conhece bem, tornando-se um investimento muito menos incerto.

HORIZONTE 2: INVESTIMENTO EM NOVOS NEGÓCIOS EMERGENTES

Os 20% da segunda parte aqui são alocadas para o Horizonte 2, para conquistar os mercados adjacentes ao seu core business! Lembre-se dessa regra: quanto mais próximo o mercado é do seu core business, menor o risco da inovação. 

Entretanto, por mais que o mercado que estamos querendo conquistar seja próximo ao que o meu carro-chefe faz parte, ainda sim não é o meu mercado – tornando o cenário mais incerto. 

Ou seja, alocamos apenas 20% do meu orçamento para investimentos com certo grau de incerteza, permitindo que você capture um valor que o seu negócio não tem hoje, sem apostar todas as nossas fichas nesses investimentos. 

HORIZONTE 3: NVESTIMENTO EM EXPERIMENTAÇÃO

Os 10% restantes são para investimentos em Horizonte 3, ou seja, em inovações radicais. Esses investimentos construirão um futuro desconhecido para a minha empresa, com alto grau de incerteza. Mas o mais importante é que eu estou investindo também no longo prazo, ou seja, estou garantindo a participação da minha organização na criação de novas alternativas para o futuro, como o táxi híbrido da Uber ou o Hyperloop do Elon Musk. 

O próprio Eric Schmidt costumava dizer: “Quanto mais você investe em algo, mais difícil é você admitir o fracasso nele”. Então, se optarmos por investir boa parte dos nossos recursos em projetos de inovação incertos, corremos o risco de adiar a admissão de fracasso desses investimentos que certamente vão consumir todos os meus recursos. 

É muito mais assertivo trabalharmos com a ideia de observar a evolução dos projetos em paralelo e observamos quais deles conseguem alcançar o desempenho esperado. Quando as expectativas não são atendidas, nós precisamos matar o projeto! Dessa forma conseguimos priorizar os melhores investimentos, nos relacionando com eles de forma racional. 

Esse conceito de matar projeto é muito relevante quando a gente tem um portfólio de inovações muito grande na organização. Se você quiser ver, na prática, como realizamos essa alocação de projetos por horizonte, clique no link abaixo: 

HORIZONTE 1 (PRESENTE) VS HORIZONTE 3 (FUTURO)

O PLANEJAMENTO DE INOVAÇÃO

Quando falamos de planejamento, ou seja, planejar nossas iniciativas de inovação do Horizonte 1 é natural é que nós queiramos fazer um Business Plan tradicional, ou seja, um plano de negócios que as empresas estão comumente acostumadas a fazer. Esse plano tradicional é perfeito pode ser facilmente utilizado nesse horizonte, por se tratar de um cenário de alta certeza. 

Agora, quando falamos de Horizonte 3 a coisa muda! Isso porque o Business Plan tradicional não consegue prever os riscos desse cenário que é muito incerto. Para o Horizonte 3 é mais assertivo trabalhar com a ideia de se desvincular daqueles planos muito extensos e incorporar pequenos ciclos de experimentação, validando as alternativas a cada evolução do projeto. 

A EXECUÇÃO DA INOVAÇÃO

Quando falamos de execução de projetos e, principalmente se tratando de estrutura para executar essas inovações, temos uma boa diferença por horizontes de inovação. 

No Horizonte 1 eu vou envolver meu time interno para executar essa estratégia, uma vez que o mesmo está muito próximo do meu modelo de negócios e já entende bastante do funcionamento do meu core business. 

É como citamos lá em cima, envolver os colaboradores em um Programa de Ideias é uma ótima forma de aproveitar o potencial da sua organização para gerar melhorias em processos, produtos e serviços. 

Já no Horizonte 3, estamos falando de uma inovação cujas variáveis de risco e incerteza não sou conhecidas pelo meu time interno e, para isso, eu precisarei contar com a ajuda de estruturas mais a borda da organização, ou seja, nós talvez queiramos abrir uma empresa que esteja mais focada especificamente nessa inovação e/ou vou querer ter um grupo específico de pessoas voltadas para fazer inovações em futuros tão incertos. 

Aqui também vale fazer parcerias no mercado com startups e universidades, seguindo o mindset de inovação aberta – se você ainda não conhece o termo ou quer se aprofundar nele, clique no link abaixo: 

Vídeo – O que é Inovação Aberta, conceito e cases de sucesso 

Então, a dica é simples: aposte no seu time interno quando se tratar de investimentos de Horizonte 1 e foque na borda da organização quando os investimentos se aproximarem do Horizonte 3. 

O PRAZO DA INOVAÇÃO

O tempo é uma variável infinitamente importante para a inovação e faz sentido termos em mente as dimensões desse recurso ao longo dos horizontes de inovação. 

Como você deve ter imaginado, nas inovações de Horizonte 1 eu tenho projetos que são executados de forma mais veloz, isso porque estamos falando de absorver melhorias em cenários que já são muito conhecidos pela organização. 

Steve Blank escreveu um artigo para Havard Business Review falando sobre a volatilidade da variável tempo no Horizonte 3 de inovação, isso porque a disponibilidade de tecnologia e a velocidade com que as empresas conseguem se reinventar hoje em dia está muito mais veloz, trazendo à tona, por exemplo, startups com modelos de negócio disruptivos. 

O importante desse insight é perceber que nós precisamos acompanhar a velocidade do mercado, viabilizando os projetos de Horizonte 3 do meu portfólio de inovações, também com maior velocidade. É importante lembrar: eu preciso disruptar o meu mercado o quanto antes, porque se eu não fizer, alguém vai. 

CONCLUSÃO

Como vimos, inovar não é algo inalcançável, como nos faz pensar os mitos construídos a seu redor. Da mesma forma, não é um conceito que depende unicamente de criatividade, produtividade, processos e recursos financeiros. 

E justamente por isso mesmo que é mais simples inovar do que parece ser, na realidade. Podemos ver por meio de cases e exemplos que nem limitação ou excesso de ferramentas e investimentos são obstáculos para que sua empresa trabalhe motivada e seja extremamente inovadora. Então, mãos à obra! 

E na sua empresa ainda há mitos como esses que apresentamos? Em que estágio está o desenvolvimento de sua cultura da inovação? 

Contribua para essa discussão, compartilhe suas experiências e aproveite para descobrir como a AEVO pode te ajudar a trilhar esse caminho inovador! Para isso, basta clicar neste link.

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