Inovação radical vs inovação disruptiva: qual a diferença?

Inovação radical e inovação disruptiva são termos que já fazem parte da linguagem cotidiana de grande parte das organizações inovadoras. 

Apesar disso, muitos profissionais ainda não sabem diferenciar claramente os dois conceitos. 

Empresas de todas as partes do mundo estão buscando novas formas de alavancar a tecnologia existente ou criar um produto ou modelo de negócios completamente novo.  

Por isso, hoje, a inovação é a chave de qualquer organização de sucesso.   

Apesar de ter seu conceito definido de acordo com diferentes autores e líderes comerciais, a inovação é, na maioria das vezes, dividida em três tipos principais: Inovação incremental, radical e disruptiva.   

Como você já deve ter imaginado, a inovação incremental ajuda as empresas a permanecer no jogo, sustentando sua posição no mercado com pequenos e incrementais saltos de inovação.

Mas, o que são inovações radicais e disruptivas? E como elas impactam no mercado?  

Conceitos de inovação radical e disruptiva 

Para te ajudar a expandir os horizontes e entender de uma vez por todas a diferença entre inovação radical e inovação disruptiva, vamos dar um passo atrás e falar sobre os seus conceitos: 


O que é inovação radical? 

O termo inovação radical apareceu pela primeira vez lá em 1939, no livro “Bussiness Cycles”, do autor austríaco Joseph Schumpeter 

De acordo com Schumpeter, a inovação radical deriva da criação de novos conhecimentos e da comercialização de ideias ou produtos completamente novos 

Dessa forma, com a inovação radical, as empresas podem capturar maior valor dos seus produtos, posicionarem-se com base em diferenciação e garantirem a renovação dos padrões de competição dos mercados nos quais atuam. 

Segundo a Harvard Business Review : 

“A inovação radical se concentra no impacto de longo prazo e pode envolver o deslocamento de produtos atuais, a alteração do relacionamento entre clientes e fornecedores e a criação de categorias de produtos completamente novas”. 

Um bom exemplo de inovação radical é a Salesforce, uma empresa americana de softwares.

Seu sistema de CRM aproveita não apenas uma nova plataforma de tecnologia na forma de computação em nuvem, mas também um novo modelo de negócios. 

Na época em que a empresa foi lançada, em 1999, seu modelo de negócios era extraordinariamente inovador. O sucesso foi tanto que não é difícil concluir que até hoje a empresa continua a liderar o mercado.  

Afinal, não foi à toa que a Salesforce foi nomeada pela Forbes como uma das empresas mais inovadoras do mundo por quatro anos seguidos, né? 


E o que é inovação disruptiva? 

Cerca de 30 anos atrás, Clayton Christensen, professor de Administração na Harvard e mundialmente conhecido por seus estudos em inovação, introduziu esse conceito revolucionário que transformou o mundo corporativo. 

A inovação disruptiva trata-se de um processo em que uma tecnologia, produto ou serviço é transformado ou substituído por uma solução inovadora superior, resultando em uma ruptura dos paradigmas tradicionais de um mercado específico e à criação de um novo hábito de consumo. 

Quando falamos em inovação disruptiva, um exemplo clássico que sempre vem à cabeça de grande parte das pessoas é o Spotify 

Os CDs eram caros e vinham com uma quantidade limitada de músicas, enquanto a demanda dos consumidores por música crescia cada vez mais.  

Depois dos CDs, vieram os dispositivos MP3, mas que ainda contavam com um limite de memória e dependia de outras plataformas para que o usuário fizesse download das músicas. 

Em um insight poderoso, a empresa encontrou um meio de atender a essa demanda, oferecendo modelo de SaaS (Software as a Service), em que o consumidor paga pelo acesso à plataforma, e não pela música em si.  

O resultado todo mundo já sabe: a oferta de uma solução mais acessível e mais cômoda para o consumidor derrubou as soluções anteriores, fazendo com que desaparecessem do mercado. 

Ou seja, diferente do que se poderia pensar, a inovação disruptiva não cria produtos e serviços mais caros ou complexos.

Pelo contrário, desenvolve soluções mais baratas e atende um público que as empresas tradicionais haviam deixado de lado. 

É assim que uma empresa pequena, como uma startup, consegue superar uma gigante de mercado em seu próprio território. 

A Netflix e outros serviços de streaming de vídeo também são ótimos exemplos de inovações disruptivas. 


Quais as diferenças entre inovação radical e disruptiva? 

O ponto chave a ser lembrado aqui é que nem toda inovação radical é disruptiva, mas toda inovação disruptiva é radical 

Mas, vamos entender isso melhor? 

É comum que algumas pessoas associem o termo disruptivo e a ruptura que esse tipo de inovação causa somente à tecnologia associada a ele.

Entretanto, essa ruptura é um fenômeno de mercado e de negócios e, na verdade, tem pouco a ver com a tecnologia em si. Ou seja, nem toda transformação tecnológica é disruptiva. 

As inovações radicais se concentram nos tipos de comportamento e estruturas organizacionais que explicam e preveem a comercialização de ideias inovadoras e a criação de novos produtos e novas tecnologias. 

Por outro lado, quando essa inovação radical se torna disruptiva, o que acontece é que o impacto dessa inovação é tão grande que acaba gerando uma mudança no comportamento de consumo do público em geral.

Nesse caso, o resultado é que a solução anterior se torna defasada e pode até desaparecer. 

Um exemplo disso é a fotografia digital.  

As primeiras máquinas fotográficas analógicas obtiveram sucesso absoluto e dominaram o mercado de fotografia por um longo tempo. 

Entretanto, elas envolviam um custo elevado e o seu processo era difícil e demorado, o que acabava limitando esse produto a apenas uma parcela de consumidores — inovação radical. 

Leia também: as diferenças entre a inovação incremental e radical 

Mas, no momento em que uma marca muito popular de câmeras fotográficas decidiu pela transformação digital em vez de continuar com a fotografia analógica, todo o mercado da fotografia mudou. 

Uma vez que, a fotografia digital não era apenas mais um novo produto, mas sim uma mudança profunda no mercado que criou um novo hábito de consumo na população. Isso é inovação disruptiva. 

Da mesma forma, quando uma certa empresa decidiu substituir o teclado do telefone celular por uma tela digital, o mundo mobile foi totalmente transformado. 

O mesmo aconteceu na área da comunicação interpessoal, quando uma plataforma para enviar mensagens pela Internet foi criada. 


Conclusão 

Portanto, a inovação radical está relacionada com a criação de novos conhecimentos e, dessa forma, da comercialização de ideias ou produtos completamente novos. Ela envolve um avanço tecnológico que transforma a indústria e frequentemente cria novos mercados. 

Por outro lado, a inovação disruptiva lida com tecnologias ou novos modelos de negócio que promovem uma disrupção em um mercado já existente, criando um novo hábito de consumo. 

Ambos os modelos de inovação desempenham um papel central para garantir a competitividade das empresas no mercado.

Basta escolher a mais adequada para o momento, levando em consideração os recursos disponíveis e o cenário no qual a empresa está inserida. 

Vale lembrar que um modelo de inovação não exclui o outro. Muito pelo contrário, é possível e recomendado que as empresas apostem em mais de um tipo de inovação, mantendo seus portfólios equilibrados.  

O equilíbrio entre os tipos de inovação é conhecido como Ambidestria Organizacional e se esse é um conceito novo para você, não deixe de conferir nosso artigo a respeito. 

ConfiraAmbidestria Organizacional | Como balancear as inovações do presente e futuro? 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *