O que é inovação disruptiva: quanto e quando investir

O que é Inovação Disruptiva

A inovação é um assunto ao qual vários pesquisadores se dedicam, tentando entender melhor quais são seus tipos e como cada um deles funciona. Nesse esforço, há cerca de três décadas, um desses pesquisadores – Clayton Christensen, da Universidade de Harvard – introduziu o conceito de inovação disruptiva.  

Neste artigo, você vai descobrir o que é inovação disruptiva, além de entender duas questões práticas fundamentais: quando e quanto investir nesse tipo de inovação. 


Conceito

Inovação disruptiva é aquela na qual um produto, serviço ou tecnologia é substituído por uma solução superior. Esse processo provoca a ruptura dos paradigmas e a formação de um novo hábito de consumo dentro daquele mercado. 


O que é inovação disruptiva? 

Para entender melhor o que é esse tipo de inovação, vamos trabalhar com um exemplo clássico: o caso da indústria da música.  

Ao longo dos anos, novas soluções superiores de tecnologia foram sendo desenvolvidas para servir de mídia para a venda e reprodução de músicas: discos de vinil, fitas cassete, CDs, dispositivos MP3 e, mais recentemente, plataformas de streaming, como Spotify, Deezer, Apple Music.

A oferta de cada nova solução derrubava as anteriores, pois tornava o acesso à musica mais amplo, prático e até mais barato. Tanto que hoje se torna cada vez mais difícil encontrar CDs a venda.   

Por isso, é importante saber que a inovação disruptiva não gera soluções mais caras ou complexas; pelo contrário, ela pode abrir portas para que públicos antes negligenciados também tenham oportunidade de consumir. 


Inovação disruptiva X Inovação radical 

Os termos “inovação disruptiva” e “inovação radical” podem remeter a ideias semelhantes; no entanto, esses dois tipos de inovação não podem ser confundidos. A melhor maneira de resumir a relação entre elas é assim: 

Toda inovação disruptiva é radical; porém, nem toda inovação radical é disruptiva. 

A inovação radical é uma inovação de crescimento, cujo foco é explorar novas alternativas, seja pelo desenvolvimento de novas soluções ou pelo ingresso em um mercado diferente do core business original do negócio. 

Enquanto isso, como já vimos, a inovação disruptiva é aquela que promove uma verdadeira ruptura de paradigmas e formação de novos hábitos de consumo. 

Nem toda inovação radical chega promover esses efeitos. Por isso, existem inovações radicais que não podem ser consideradas disruptivas. 


Porque investir em inovação disruptiva?

Quando uma empresa consegue produzir uma inovação disruptiva, ela conquista uma posição forte de vantagem competitiva. Afinal, ela realmente muda as regras do jogo e sai na frente.  

Vamos retomar o exemplo da indústria da música: as empresas que desenvolveram plataformas de streaming de música primeiro transformaram de uma maneira significativa esse mercado.  

Supondo que as empresas que produziam CDs quisessem continuar competindo, elas teriam que se reinventar completamente, um processo que, além de ser complexo, demanda tempo e dinheiro. Enquanto isso, o Spotify, por exemplo, já teria conquistado uma grande fatia do mercado e tomado a liderança.  

Assim, por meio da inovação disruptiva, uma empresa muito mais nova e até com menos recursos consegue dominar um mercado no qual já existiam players consolidados. 


Quando investir em inovação disruptiva? 

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Antes de determinar se é a hora certa para começar a investir em inovação disruptiva, você deve fazer uma análise do momento atual da sua empresa.  

Quando uma nova solução está nas fases iniciais de planejamento e desenvolvimento, ela ainda é apenas uma aposta, então não é possível saber o quanto ela realmente é promissora.  

Nesse momento, você testa hipóteses, para tentar identificar o potencial de market share (fatia de mercado) e market growth (crescimento de mercado) desta solução.  

No entanto, após testar suas hipóteses, vai ficando claro se essa nova solução é uma “estrela” (uma oportunidade com potencial de alto market share e alto market growth) ou um “abacaxi” (uma armadilha com baixo market share e baixo market growth).  

Se a sua ideia de inovação disruptiva der sinais de que é uma estrela, é o momento de investir mais pesado. Se for um abacaxi, o caminho é “matar” o projeto. 


Quanto investir em inovação disruptiva?  

Para determinar o quanto sua empresa deve investir nesse tipo de inovação, vamos recorrer à estrutura dos 3 Horizontes de Inovação, desenvolvida pela McKinsey & Company.  

Segundo essa estrutura, todas as inovações podem ser enquadradas em um desses horizontes: 

  • 1° Horizonte: otimizar o que a empresa já domina 
  • 2° Horizonte: explorar mercados adjacentes ao core business 
  • 3° Horizonte: testar hipóteses que precisam de validação 

A inovação disruptiva enquadra-se no terceiro horizonte, que é considerado o de maior risco e, por isso, deve receber proporcionalmente menos investimentos do que os outros dois.  

Podemos usar como referência o caso da Google. De acordo com Eric Schmidt, que ocupou durante vários anos o cargo de presidente da gigante da internet, a Google destina 70% do seu orçamento de inovação para o 1° horizonte, 20% para o 2° horizonte e 10% para o 3° horizonte. 

O que é inovação radical

Como equilibrar o meu orçamento de inovação?  

O caso da Google levanta uma questão importante, a respeito do risco e do retorno, que deve ser considerada na hora de equilibrar o orçamento de inovação. 

É claro que toda inovação tem seu risco; e, da mesma forma, tem seu potencial de retorno. De maneira geral, observamos que as inovações do 1° horizonte têm menos risco e potencial de retorno em curto prazo. Por outro lado, as inovações do 3° horizonte – que é o caso da inovação disruptiva – têm risco mais alto, pois são apostas, e seu retorno ocorre em longo prazo. Por isso, é uma decisão estratégica equilibrar o orçamento de modo que mais recursos sejam destinados a inovações no core business. 

No entanto, não é recomendável destinar 100% do orçamento apenas para o 1° e o 2° horizontes. Afinal, a inovação de longo prazo é um caminho para garantir o sucesso no futuro do seu negócio.  


Leia também: Ambidestria Organizacional: como equilibrar o portfólio de inovações


Conclusão 

Neste artigo, você teve a oportunidade de entender melhor o que é inovação disruptiva: aquela que, por meio da criação de uma solução melhor, rompe paradigmas e muda hábitos de consumo de um mercado. Também viu que nem toda inovação radical é disruptiva. 

Além disso, falamos sobre quando investir em inovação disruptiva e quanto destinar a esse tipo de inovação, de maneira que o orçamento da sua empresa fique equilibrado. 

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