Squads: como são estruturados os times na Spotify?

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Se uma empresa quer obter excelentes resultados, é fundamental contar com uma equipe de alta performance. Para isso, dois elementos devem estar presentes.

O primeiro são as próprias pessoas: você precisa de profissionais com o perfil certo, em termos de competências.

O segundo elemento é a metodologia de organização da equipe. Entre as alternativas disponíveis, destaca-se a metodologia squad.

Neste artigo, você vai recordar o conceito por trás dessa metodologia, além de entender porque vale a pena utilizá-la na sua empresa e como são aplicados os squads no Spotify.


O que são squads?

O conceito fundamental por trás da metodologia squad é, como o nome sugere, o próprio conceito de squad. Esse termo em inglês pode ser traduzido como “esquadrão”, em referência às unidades de militares que são enviados a um combate.

Assim como um esquadrão militar, os squads são unidades – isto é, equipes – formadas para cumprir uma missão, atingir um objetivo específico. Além disso, duas características importantes dos squads são a multidisciplinariedade e a autonomia.


Por que utilizar squads na sua empresa

Uma das empresas mais famosas na implementação da metodologia squad é o Spotify. No entanto, não são apenas as grandes empresas de tecnologia que se beneficiam do uso de squads como forma de organizar equipes.

A utilização de squads permite que os colaboradores envolvidos em uma das unidades tenham foco total na missão que lhes foi atribuída, em vez de dividir sua atenção entre vários projetos desconexos. Eles também têm a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento da missão do começo até o fim, o que traz um senso de propósito e engajamento muito mais forte.

Como os squads são multidisciplinares, eles contam com uma visão mais tridimensional dos projetos. Isso possibilita identificar com mais clareza onde estão os problemas, o que não está funcionando e precisa ser melhorado. Assim, é possível produzir entregas de qualidade superior.

Outro ponto importante é que a autonomia dos squads permite que eles avancem com seus projetos sem depender de autorizações e aprovações externas.

Dessa maneira, eles conseguem atingir um tempo de entrega menor, isto é, trabalhar com mais agilidade. Além disso, a autonomia motiva os profissionais, e pessoas motivadas produzem mais e melhor.

Em resumo, a aplicação dos squads no Spotify e em qualquer empresa é um caminho para organizar equipes de alta performance, capazes de gerar entregas com maior qualidade e eficiência.


Como são aplicados os squads na Spotify

Os squads no Spotify nem sempre foram estruturados dessa maneira. A empresa que antes adotava o framework Scrum, conforme foi crescendo e aumentando o tamanho de colaboradores, percebeu que o Scrum não era mais o modelo ideal de trabalho, mas as práticas ágeis sim.

Em 2012 eles decidiram mudar a forma de organização da empresa e criaram os Squads. Primeiro, mudando a figura de Scrum Master para Agile Coach e depois de Time Scrum para Squads.

No Spotify, os squads focam em pequenas entregas a fim de evitar desperdício de tempo em longos projetos sem validação constante, que no final podem se tornar inviáveis.

A ferramenta de streaming musical é um dos casos de sucesso mais conhecidos no uso desta metodologia, afinal, foram eles que criaram e popularizam isso através de um vídeo lançado em abril de 2014 por Henrik Kniberg, Agile Coach no Spotify.

Em 2014 a empresa tinha mais de 50 squads – quantos será que ela tem hoje?

Veja agora alguma das características dos squads no Spotify.


Internal Open-source model

Em tradução livre, ”Modelo de código aberto interno” é como uma biblioteca de conteúdo compartilhada.

Imagine que uma equipe A de tecnologia e software está trabalhando nas recomendações de playlists aos usuários do aplicativo, e para isso precisa desenvolver vários códigos de programação.

Uma outra equipe B, responsável pela indicação de novas músicas, precisa fazer algo similar ao primeiro squad, e então, ao invés de criar códigos do início ou pedir para equipe A, que pode estar ocupada com outras demandas, ela utiliza os já criados pela equipe de playlists.

Dessa forma, o trabalho ocorre de forma mais rápida e fluída, espalhando conhecimento entre equipes. Por mais que os squads sejam autônomos, isso não quer dizer que eles não podem compartilhar informações e trabalhar juntos, muito pelo contrário.


Release Train & Feature Toggle

Para organizar melhor os lançamentos do aplicativo, o Spotify definiu uma estrutura de trem de lançamento. Cada departamento tem um trem e possui uma periodicidade para lançar novos recursos, uma vez por semana ou uma vez a cada 3 semanas por exemplo.

Suponhamos que o trem 1 precise entregar 4 novos recursos, mas apenas 3 estão prontos. Ao invés de ele esperar para que o quarto recurso fique pronto, atrasando toda a entrega, esse trem parte para seu destino, e a funcionalidade 4 que ficou inacabada, é lançada junto com as outras, mas escondida com uma feature toggle (sem tradução exata).

Como Henrik Kniberg mesmo disse, pode parecer ruim lançar para o público ferramentas inacabadas que possam conter bugs, mas dessa forma a equipe pode identificar os erros mais rápido e consertá-los antes de finalizar o recurso.


Tribes

Um aspecto fundamental do modo como são aplicados os squads no Spotify é que, ao mesmo tempo em que eles são autônomos, eles também são fortemente alinhados.

A empresa acredita que o alinhamento não é um inimigo da autonomia; de fato, essas duas características são dimensões diferentes que podem coexistir.

Dentro dessa visão, os squads mais alinhados certamente são aqueles que compartilham objetivos similares e, por isso, precisam trabalhar com maior proximidade. Esses squads formam as tribes, termo em inglês para tribos.

As tribes costumam realizar reuniões conjuntas e ter uma comunicação mais estreita no dia a dia, para trocar experiências e acompanhar o andamento do trabalho de cada squad.


Chapter

Como já vimos, os squads são equipes interdisciplinares. Porém, isso não significa que o Spotify não incentive o contato entre profissionais que compartilham a mesma especialidade. Para isso, existe o chapter, termo em inglês que pode ser traduzido livremente como seção.

Todos os profissionais de uma certa especialidade, portanto, participam de um chapter, onde eles encontram uma figura de liderança que atua como seu mentor.

O propósito dos chapters não é desenvolver projetos, já que isso é feito nos squads. Em vez disso, são unidades voltadas ao desenvolvimento dos profissionais dentro de sua área de expertise. São grupos onde eles podem aprender uns com os outros.


Guild

A metologia de squads no Spotify inclui ainda mais um elemento: a guild, ou guilda.

Uma guild pode reunir colaboradores que não estão nem no mesmo squad, nem na mesma tribe; e que também não participam do mesmo chapter.

Em outras palavras, ela atravessa a organização de maneira transversal e, assim, congrega profissionais que, talvez, não se encontrassem em nenhuma outra situação.

Justamente por esse motivo, as guilds proporcionam uma oportunidade valiosa para promover um ambiente ainda mais amplo e rico de comunicação e troca de conhecimentos entre os colaboradores da empresa.

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Fonte: Spotify

Conclusão

Neste artigo, você teve a oportunidade de conhecer a metodologia squad, entender porque vale a pena implementá-la e descobrir alguns aspectos da utilização de squads no Spotify.

Aplicar essa metodologia exige uma mudança profunda em relação à forma tradicional como a maioria das empresas organiza suas equipes; não se trata apenas de formar squads, pois é preciso transformar a cultura da organização. No entanto, os benefícios que ela pode trazer certamente justificam esse esforço de transformação.

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