Em tradução livre, podemos definir os early adopters como aqueles que aderem a algum tipo de tecnologia, serviço, produto ou inovação de forma antecipada. Com características bem particulares, essas pessoas possuem o hábito de aderir ao uso de inovações, antes mesmo que elas estejam disponíveis para o ‘grande público’.
Por um lado, existe o ônus de nem sempre usufruir de uma experiência completa e ausente de falhas, mas por outro, empresas e os próprios testers compartilham feedbacks do que pode ser melhorado.
Isso é essencial no desenvolvimento de novos produtos, favorecendo a coleta de dados que beneficiem o alinhamento do que será lançado ao seu público-alvo.
Neste artigo vamos explorar com mais profundidade o perfil dos early adopters, sua contribuição para a cadeia de empreendedorismo e startups, e como engajar esse público tão específico.
Na AEVO, acreditamos que a difusão de inovação é parte da evolução de novos negócios, e por isso abordar os early adopters é tão importante. Siga a leitura.
O que são early adopters?
Falamos brevemente sobre o significado de early adopters, mas a partir daqui vamos detalhar um pouco mais esse conceito. O teórico da comunicação americano Everett Rogers tem uma teoria conhecida como ‘teoria da difusão da inovação’.
Essa teoria defende que, para falarmos da adoção da inovação pelas pessoas, é possível classificá-las em 5 grupos com base em seus comportamentos de resposta a essa novidade.
- Inovadores: são as pessoas responsáveis por gerar projetos de produtos, tecnologias e serviços de forma autoral, ou seja, criam a inovação em si. Elas acreditam que inovar é necessário e é comum possuírem um comportamento que gira em torno de pesquisa, criatividade e inovação;
- Adotantes imediatos (ou early adopters): os early adopters figuram já no segundo perfil, sendo os primeiros a testarem voluntariamente tais inovações criadas pelo primeiro grupo. Eles são importantes, pois enviam feedbacks sobre a experiência da inovação, antes que ela seja disponibilizada ao público;
- Maioria antecipada: depois dos early adopters, a inovação chega a um grupo maior de pessoas. Elas ainda não são o grande público, mas possuem o poder de influenciar outros grupos a usarem ou ignorarem a inovação, a partir da sua experiência.
- Maioria tardia: em percentual, eles estão na mesma proporção da maioria antecipada, mas ainda possuem uma resistência a aderir alguma novidade. Essa aceitação costuma ser intermediada por uma opinião ou recomendação de alguém próximo, uma pessoa pública ou validação de grupo.
- Retardatários: é o último estágio de comportamento, e está atribuído a pessoas conservadoras. Elas só vão aderir ao uso de um produto ou serviço em última instância, preferindo soluções que já são familiares ao seu cotidiano. Prezam pela funcionalidade no lugar da novidade.
Dentro da teoria de Everett, existe uma representação visual desses comportamentos, chamada de curva de adoção, muito alinhada com o ciclo de adoção de tecnologia. Ela considera o volume de pessoas em cada grupo, conforme as características listadas anteriormente, sendo eles:
- Inovadores: 2,5%
- Adotantes imediatos (early adopters): 13,5%
- Maioria antecipada: 34%
- Maioria tardia: 34%
- Retardatários: 16%
Leia mais:
Desenvolvimento de Novos Produtos: como conduzir em 6 passos
Prova de conceito: o que é, como funciona e os 6 passos
Características dos early adopters
Até aqui podemos entender que os early adopters, inovadores e maioria inicial estão diretamente relacionados. Mas o que torna os adotantes iniciais tão relevantes, considerando que o percentual deles em relação aos demais perfis é menor?
Podemos trazer alguns exemplos dentro do próprio contexto da tecnologia, usando a empresa Apple para ilustrar, e também o cenário da moda nos últimos anos. Por padrão, os early adopters são mais abertos a novidades e aceitam riscos em função de ter uma experiência diferente.
Em 2007, com o lançamento do iPhone, muitas pessoas estranharam o fato de um aparelho celular praticamente não ter botões físicos.
Hoje, a realidade é um mercado que busca telas cada vez maiores, aparelhos extremamente funcionais, e, hoje, ter um celular com teclado físico é algo que pode gerar estranhamento até mesmo no grupo de retardatários.
No contexto de moda, marcas estão constantemente olhando para as ruas (e mais recentemente para a internet), em busca do que pode se tornar tendência na próxima estação.
Nesse sentido, os inovadores são as pessoas que propriamente lançam as tendências, os early adopters são aqueles que compram as primeiras peças na loja, e os demais grupos são aqueles que consomem uma determinada estética, conforme ela ”entra ou sai” de moda.
Portanto, podemos entender que as características que diferenciam os early adopters dos demais grupos são:
- São mais flexíveis a correrem riscos e experimentar novidades;
- Antecedem o uso de produtos, serviços e tecnologias, embasando as escolhas dos grupos que possuem maior influência social;
- São ávidos por soluções inovadoras e experimentá-las antes de lançamentos oficiais;
- Prezam por fornecer feedbacks de forma transparente para as empresas, contribuindo para melhorias na construção, execução e objetivos do que se pretende inovar.
Por que os early adopters são importantes para as inovações?
Considerado um público com alto perfil técnico e exigente, os early adopters são um elemento de alto grau de importância para empresas e projetos inovadores.
Eles se relacionam em diferentes comunidades, com o poder de agregar valor a uma inovação, antes mesmo que ela seja materializada ao público final.
Muitas empresas de tecnologia investem em etapas de testes com grupos de early adopters, justamente para refinar suas ideias e execuções de projeto. Em troca de disponibilizar a experiência de uso antecipada, a empresa recebe insights poderosos que podem mudar por completo a forma como a inovação está sendo realizada.
1 – Validação precoce do produto ou serviço
A presença de early adopters durante a etapa de validação de produto é extremamente recomendada.
Por saberem das dores mais profundas daquele determinado público, são eles que vão comprovar que sua inovação, de fato, atende a tal necessidade, ou se é apenas mais uma solução no mercado.
Nesse sentido, eles podem contribuir para identificar todos os pontos de falha de uma versão ainda inicial de um produto ou serviço, permitindo que a empresa invista recursos em melhorias com mais garantia de sucesso.
2 – Geração de tração e boca a boca positivo
Os adotantes iniciais possuem amplas redes que se comunicam entre si, o que atualmente é de extremo valor para empresas.
Ao impactar positivamente os early adopters, uma inovação pode começar a circular no mercado pelo ”boca a boca” de forma extremamente positiva, gerando curiosidade até mesmo dos outros perfis.
3 – Identificação de melhorias e ajustes necessários
Todos os feedbacks coletados junto aos early adopters podem e devem ser documentados, de forma que a empresa consiga mapear e executar todas as melhorias necessárias.
Em caso de uma inovação que já passa pela aprovação de early adopters, a empresa pode ir além e trabalhar em estratégias para superar as expectativas de público e mercado.
Continue aprendendo: Melhoria Contínua: o que é, qual o objetivo e os 3 pilares
4 – Facilitação da transição para a maioria inicial (crossing the chasm)
Levando em consideração que os early adopters possuem um perfil mais técnico, questões de usabilidade e absorção da tecnologia podem ser facilitadas na hora da transição para o grupo de maioria inicial.
Isso porque a inovação já chega contextualizada, permitindo que os demais grupos foquem apenas no uso prático do que foi proposto, ao invés de gastar tempo com tutoriais e etapas de configuração.
Como identificar e engajar early adopters?
Não existe um lugar certo para encontrar os early adopters, já que eles estão presentes nas mais diversas comunidades (de tecnologia à moda, de música à produção de energia verde), e sempre em busca de novas descobertas.
Mas existem alguns lugares habituais onde esses perfis se conectam, principalmente no ambiente digital, mas também em eventos e organizações presencialmente.
Para empresas inovadoras, ficar de olho nesses locais pode ter um impacto grandioso na hora de inovar com mais assertividade:
- Fóruns e comunidades online: plataformas como Reddit, Discord e X (antigo Twitter) permitem localizar com facilidade perfis de early adopters, por tópicos e tendências do momento entre grupos especializados;
- Eventos de inovação: Campus Party, CryptoRave, entre muitos outros, são eventos sazonais que reúnem adeptos de inovação e tecnologia e outras áreas, incentivando a conexão de quem inova com quem busca explorar o que está sendo feito;
- Campanhas de crowdfunding: investir no Brasil ainda é algo caro para startups e empresas de pequeno e médio porte. Por isso, campanhas de financiamento coletivo podem ser uma forma de conseguir o investimento necessário, diretamente do público que se propõe a impulsionar a inovação proposta.
Estratégias para aproveitar o potencial dos early adopters
Por mais que os early adopters sejam grupos bastante otimistas e abertos para trocas, eles não fazem tudo sozinhos.
Empresas que desejam estabelecer essa troca com a comunidade devem apostar em estratégias sólidas e que forneçam a estrutura necessária para que a experiência deles seja favorável em cada etapa.
Criação de canais diretos de comunicação e suporte
Não é possível inovar sem ter uma comunicação eficiente em todos os aspectos. Ao estabelecer uma relação com early adopters, seja testando uma versão beta de um programa, ou avaliando um serviço, é fundamental oferecer canais de atendimento e suporte imediatos.
Em casos de falhas críticas, é possível informar o problema e trabalhar em uma solução conjunta, já obtendo feedbacks em tempo real.
Deixar esse grupo sem suporte é como pedir para que a imagem da empresa seja afetada, já que demonstra uma indiferença com relação ao público final, aqui representado pelos early adopters.
Incorporação de feedbacks no desenvolvimento contínuo
O tempo de resposta em função dos feedbacks coletados é muito importante. Por isso, ter um time de desenvolvimento capaz de interpretar as falhas listadas e trabalhar ativamente na correção de cada uma, faz parte da etapa.
Quanto maior o tempo de resposta para um early adopter, maior a visão negativa que ele pode atrelar ao produto ou serviço.
Transformação de early adopters em defensores da marca
É importante pensar que os early adopters são a primeira parte da construção de uma ponte entre a inovação e seu público final.
Se desde o primeiro momento a marca não estabelece uma comunicação adequada, suporte direto e transparência de objetivos, fica mais difícil contornar a repercussão negativa que essa comunidade tem o poder de gerar.
Se antes mesmo de ser lançado, um produto ou serviço já chama a atenção pelo seu bom desempenho, melhor será a projeção que os early adopters farão da marca para os demais grupos. Isso pode impactar em marketing orgânico para a empresa, reduzindo custos com influenciadores para reviews técnicos e otimizando o alcance ao público-alvo.
Estabelecimento de programas de referência e recompensas
Nada é de graça, e já que os feedbacks obtidos através dos early adopters são tão valiosos, nada mais justo que oferecer algo em troca.
Muitas empresas atribuem créditos oficiais no desenvolvimento de produtos ao early adopters, além de recompensas que podem ser financeiras, descontos em produtos ou também acesso antecipado a lançamentos futuros.
Casos de sucesso impulsionados por early adopters
O sucesso de um projeto depende muito da recepção da comunidade de early adopters. O lado mais assertivo é inserir essas pessoas em etapas estratégicas da inovação, de maneira que elas consigam gerar real valor na etapa de desenvolvimento, e dentro de uma troca positiva para ambos os lados.
Apple
Desde o lançamento do iPhone, como citamos, a Apple se beneficiou da troca com os early adopters. Até hoje, a comunidade acompanha lançamentos de atualizações do iOS, de novos modelos de iPhone e das novidades da marca no mercado, tendo um papel fundamental em como ela é vista pelos demais.
Pix
Uma tecnologia brasileira e que foi implementada em larga escala. Os early adopters foram responsáveis por responder muitas perguntas sobre a segurança da tecnologia, possibilidades de uso e até mesmo na sua praticidade. Hoje o Pix é uma das formas de pagamento mais utilizadas no país, movimentando bilhões por ano.
Tesla
Com uma rede de fãs fiéis, a Tesla surgiu no mercado de carros elétricos implementando tecnologia de ponta, mas ainda por poucos.
A comunidade de early adopters anda de mãos dadas com a marca, principalmente em lançamentos como do Cybertruck,e consegue impactar principalmente na visão de mercado por consumidores comuns.
Conclusão
Os Early Adopters são pessoas fundamentais para os testes e validação de inovações e lançamento de novos produtos ao mercado. Por isso, devem ser cultivados e acionados pelas empresas inovadoras.
E se sua empresa deseja estruturar ou potencializar um processo de gestão da inovação corporativa, pode contar com a AEVO.
AEVO é uma plataforma completa para Gestão da Inovação, que apoia todo o processo de inovação com tecnologia, dados e IA em seu software; e entrega projetos personalizados por meio expertise da sua área de consultoria em inovação.