Toda empresa, para sobreviver às dinâmicas de mercado contemporâneas, deve se basear em um plano estratégico de negócio, e contemplar recursos como o uso da Estratégia Lean.
Lean Strategy propõe um modelo de gestão de negócios com foco estratégico em otimização de processos, aumento de valor para o cliente e cortes de desperdícios.
Com origem no sistema de produção Toyota, a estratégia Lean possui aplicação prática em vários setores, desde a própria indústria, até gestão governamental.
Neste artigo, apresentamos o conceito da estratégia Lean, e como usufruir dos benefícios em eficiência, flexibilidade e produtividade que ela pode oferecer a longo prazo. Continue a leitura.
O que é estratégia Lean?
A estratégia Lean busca organizar a gestão da empresa, eliminando desperdícios e aumentando a entrega de valor para o cliente final. Sua base está na melhoria contínua de todos os processos empresariais, por meio da integração entre todos os níveis organizacionais da empresa, de forma estratégica.
A estratégia Lean surgiu do Sistema Toyota de Produção, que buscava reduzir custos com desperdícios, gerenciar de forma otimizada os recursos humanos e tecnológicos, resultando no aumento da qualidade do produto final entregue ao cliente.
Hoje, essa estratégia tem aplicações em fluxos empresariais que buscam direcionar os resultados de forma organizada e eficiente, como no uso de automação em conjunto com habilidades humanas.
Enquanto muitas empresas recorrem ao método Hoshin Kanri para identificar e estabelecer metas e objetivos de negócio, nas etapas de alinhamento e desdobramentos, a estratégia Lean diz respeito à atuação.
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Princípios da estratégia Lean
Para possibilitar sua efetividade, a estratégia Lean (também podemos nos referir como estratégia enxuta), estabelece alguns princípios que organizam as ações posteriores.
Atualmente, podemos considerar que a estratégia Lean tem uma relação muito próxima com os princípios de inovação, especialmente dentro de ciclos de melhoria contínua.
1. Valor sob a ótica do cliente
Embora os princípios do Lean não tenham mudado com o passar do tempo, eles se atualizaram.
Dentro dos contextos atuais de mercado, as empresas precisam identificar e trabalhar o valor do produto final pela perspectiva do consumidor. Ao invés de gerar demanda, pode ser mais estratégico identificar o que os clientes desejam, e adequar sua entrega a partir disso.
Em mercados que já lidam com algum tipo de saturação, oferecer o simples muito bem feito pode ser um diferencial, focando em consumidores que enxergam valor na funcionalidade, em relação a customização, por exemplo.
Por outro lado, a experiência de compra ganha um peso maior, especialmente em produtos de alto valor agregado.
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2. Mapeamento do fluxo de valor
O que é possível fazer para entregar esse valor ao cliente final? Essa é a pergunta que resume o segundo princípio da estratégia Lean. É nessa etapa que a empresa identifica todos os processos nos fluxos de produção, eliminando tudo o que gera desperdício e impacta negativamente na produtividade.
3. Produção puxada e sob demanda
O princípio da produção puxada defende que o fluxo operacional deve ter mais qualidade, portanto, contribuindo para menos desperdícios. Com isso, a empresa consegue trabalhar com um estoque menor, priorizando melhores materiais e controle de qualidade mais eficiente.
4. Fluxo contínuo e eliminação de desperdícios
Ao estabelecer um padrão elevado de qualidade, o quarto princípio defende a continuidade desses fluxos, mantendo baixos (ou até mesmo nulos), os níveis de desperdício.
A combinação de técnicas eficazes, materiais de alto padrão e foco no resultado direcionam para um fluxo sem interrupções e alinhado às estratégias de negócio.
5. Melhoria contínua (Kaizen)
Um dos objetivos finais do pensamento enxuto exercidos na estratégia Lean é a perfeição. Quanto mais orgânico for o fluxo obtido nas etapas anteriores, maior a sua eficácia com o passar do tempo.
Com um fluxo otimizado, fica mais fácil identificar necessidades de melhorias futuras, mantendo um padrão de qualidade elevado.
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Benefícios de adotar a estratégia Lean
No seu surgimento, a estratégia Lean permitiu à indústria produzir mais, com menos recursos e mais qualidade. Hoje, esses benefícios se mantêm, mas as razões para adotar esse tipo de metodologia ganham novas nuances.
Reduzir custos e a necessidade de retrabalho continua sendo um pilar principal em empresas que adotam a estratégia Lean. A produção sob demanda também se destaca como benefício ao focar em nichos de mercado, onde o valor agregado possa ser explorado de formas estratégicas.
No cenário onde a inovação passa a ser um diferencial estratégico para empresas de diferentes setores, a estratégia Lean consegue facilitar a produção de soluções em um mercado competitivo, de forma assertiva. Em paralelo, impacta em equipes mais engajadas com os objetivos de negócio, e maior rapidez na tomada de decisões, principalmente em cenários de crise.
Como aplicar a estratégia Lean?
A principal diferença entre a estratégia e a metodologia Lean está justamente na sua aplicação: uma é estratégica, a outra é tática. Por isso, o diferencial de sucesso está nas etapas que exploramos a seguir:
1. Diagnóstico atual da empresa
Nenhuma empresa deve tomar decisões sem ter em mãos um bom diagnóstico com dados internos, de mercado e insumos de fontes variadas. E se está fazendo, é hora de parar.
A estratégia Lean começa pelo levantamento do todo da empresa, para identificar o que está dando certo e o que precisa ser repensado.
2. Definição de metas enxutas e orientadas a valor
Com esse overview em mãos, a etapa seguinte é definir quais as metas a serem atingidas (por exemplo, posicionar um novo produto ou priorizar uma linha já consolidada no mercado).
Simultaneamente, é preciso estabelecer qual o valor atribuído ao produto e/ou serviço, que vai permitir o atingimento dessa meta, a partir das etapas seguintes dentro de uma gestão enxuta.
3. Criação de times multifuncionais
Falamos brevemente sobre o benefício da estratégia Lean no engajamento de equipes. Isso acontece porque, na prática, os times envolvidos na execução da estratégia são multifuncionais.
Gestores interagem com cargos operacionais, que interagem com analistas de dados. Isso permite a troca de pontos de vista e insights valiosos baseados no contexto real da empresa.
4. Implementação incremental com ciclos curtos
Com uma estratégia desenhada e validada nos múltiplos setores, é chegada a hora de implementar a estratégia em si. Nesse momento, a metodologia Lean pode surgir como alinhada, direcionando as fases de implementação que devem ser feitas em ciclos curtos, com objetivos claros e mapeamento de resultados.
5. Medição e ajustes baseados em dados
Por fim, esses dados coletados vão possibilitar o entendimento do que funcionou com fluidez, quais etapas sofreram com impasses e os motivos de cada um.
Posteriormente, são realizados ajustes e padronizações, visando a melhoria contínua dos processos e um fluxo cada vez mais dinâmico e alinhado com as metas estratégicas.
Estratégia Lean em diferentes contextos
Embora nascida dentro do contexto industrial da Toyota na década de 1940, a estratégia Lean foi indicando seu potencial para outros setores ao longo do tempo. Hoje, seu conjunto de metodologias é amplamente validado por empresas das áreas mais diversas, principalmente quando a meta está direcionada para fins de inovação.
Para as indústrias, o Lean Manufacturing continua sendo um dos principais recursos, fiel à sua origem. Podemos trazer como exemplo a indústria automotiva, que hoje utiliza uma frente ampla de automação, direcionando recursos de matéria-prima e humanos conforme as dinâmicas do mercado e das economias globais.
Já os setores de serviços e tecnologia se utilizam das variações Lean Service e Lean Startup.
Cada um deles utiliza de sistemas como MVP (produto mínimo viável), que serve como uma espécie de protótipo e atrai investimentos para escalonar projetos inovadores. Já nos serviços, o foco está na experiência do cliente, adaptando abordagens conforme o perfil do consumidor.
E não tão diferente de empresas, os governos e órgãos de setores públicos também aplicam a estratégia, através do Lean Government. Nestes casos, a meta está relacionada em manter a transparência, reduzir burocracias e processos, justamente para atingir um maior alcance e satisfação dos usuários, neste caso, cidadãos.
Desafios e armadilhas comuns
Pode parecer simples colocar em prática a estratégia Lean, mas boa parte das empresas ainda se deparam com desafios complexos ao tentar estabelecer melhorias contínuas em suas estruturas organizacionais.
Um dos maiores é justamente a falta de cultura com foco em melhorias, onde processos engessados são pouco eficientes, mas recebem resistência de mudança por parte de quem os executa. Custos de modernização e ausência de adaptação dos processos para a realidade empresarial também acabam sendo um obstáculo para empresas ainda em processo de mudança.
Conclusão
A estratégia Lean é uma abordagem poderosa e eficaz na promoção da melhoria contínua de processos nas empresas e instituições.
Adotar os seus princípios do Lean permite que as organizações reduzam desperdícios, criando vantagens que vão desde a redução de custos à criação de um ambiente de trabalho mais ágil e produtivo.
Para explorar todo seu potencial, é essencial contar com os recursos certos, que facilitem a implementação e sustentação do Lean.
Além das práticas que acabamos de conhecer, sua empresa também pode contar com uma plataforma de gestão da inovação, como a AEVO, para conduzir e elavancar as inovações e melhorias contínuas em sua empresa.
O software AEVO Innovate permite que todos os membros da equipe possam acompanhar os processos e sugerir melhorias em tempo real. Por meio do sistema, as propostas podem se tornar projetos de inovação, acompanhados e otimizados nesse mesmo ambiente.
Além disso, a AEVO também conta com uma consultoria de inovação especializada que desenvolve soluções e imeplementa projetos personalizados para cada organização parceira, pensando em suas necessidades específicas.